Investidores monitoram com afinco dados e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), em meio a sinais distintos sobre alta de juros nos Estados Unidos em outubro. No Brasil, a corrida presidencial gera ainda mais atenção a poucos dias do primeiro turno, no domingo.
"O Ibovespa volta para o zero a zero. Está uma balança muito estável. O cenário de eleição se aproximando traz volatilidade imensa", afirma Gabriel Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos.
Além da pesquisa Datafolha, prevista para a noite, saiu nesta manhã um levantamento da Real Time Big Data, que mantém o quadro de empate técnico em eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O mercado ainda espera o debate presidencial da TV Globo - do qual Lula não participará.
"Os ativos devem continuar dividindo o foco entre o ambiente internacional e as eleições", diz Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria.
Divulgada nesta quinta-feira, pesquisa Real Time Big Data mostra Lula com 43% das intenções de voto para a Presidência, no primeiro turno, enquanto Flávio registra 39%. Os dois estão tecnicamente empatados. O equilíbrio se repete em uma eventual disputa de segundo turno, na qual o senador do PL tem 46% e o petista, 45%.
"Flávio abriu um ponto porcentual. O mercado acaba ficando mais otimista com isso", afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
No exterior, Lopes cita o avanço do petróleo - o Brent sobe 3%, para US$ 101,25 pontos, diante de indefinição sobre o conflito no Oriente Médio. Reflete relatos de ataques recorrentes no Estreito de Ormuz, apesar do aumento dos embarques do Golfo Pérsico. A suspensão das exportações chinesas de derivados também reforça o risco de aperto na oferta global.
"Isso acaba fazendo bastante preço na Bolsa brasileira por conta de todo o peso que a Petrobras tem no índice", explica o economista da Valor Investimentos.
Os juros dos Treasuries de 30 anos atingiram o maior nível em 24 anos nesta quinta-feira, perto de 5,7%, em meio à preocupação com inflação e à perspectiva de juros americanos mais altos por mais tempo. "Os juros dos títulos britânicos também estão altos. É o flight to quality. O estrangeiro deixa de olhar para emergentes e mira renda fixa de países desenvolvidos", diz Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos.
Ontem, o Índice Bovespa fechou em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, acumulando ganhos de 5,03% em setembro e de 8,32% no terceiro trimestre.
"Setembro fechou com o Ibovespa em alta, juros futuros e dólar em queda, um saldo que reflete sobretudo a mudança de percepção sobre a eleição", segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.
Conforme Trevisan, o processo eleitoral continua influenciando a leitura do mercado sobre os ativos domésticos. "Há uma percepção de que o mercado atribui maior chance de vitória a Flávio Bolsonaro, e cada nova pesquisa acaba sendo lida como reforço ou como risco a esse cenário, disse."
Às 11h13, o Índice Bovespa subia 0,01%, aos 186.229,26 pontos, ante alta de 0,59%, na máxima a 187.436,73 pontos, e mínima a 185.921,04 pontos (-0,23%), e abertura em 186.353,26 pontos (+0,01%).
Hoje não houve negociação do minério de ferro na Dalian Commodity Exchange, por causa do feriado do Dia Nacional da China, cujas celebrações durarão até 7 de outubro. As ações da Vale caíam 1,20% e as da Petrobras subiam 1%. Entre bancos, o sinal era de queda de até 3% (Unit de Santander).
(Com Agência Estado)
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