Apontado pelas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, João Batista Vieira dos Santos foi recambiado nesta quarta-feira (30) para Mato Grosso após ser preso no Paraguai. A transferência foi realizada por uma equipe da Polícia Civil e contou com apoio aéreo do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
João Batista foi capturado em 3 de setembro, em Assunção, no Paraguai, durante uma ação que cumpriu mandado de prisão expedido pela Justiça de Mato Grosso. Após a captura, ele permaneceu custodiado na Cadeia Pública Laudemir Neves, em Foz do Iguaçu (PR).
O retorno ao Estado ocorre por determinação judicial. Conforme a Polícia Civil, o recambiamento é definitivo e João Batista será encaminhado para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, onde ficará à disposição da Justiça.
ESCOLTA
A transferência foi realizada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), com apoio do Ciopaer e do Setor de Operações Táticas da Polícia Penal do Paraná.
O transporte foi feito por aeronave do Ciopaer e contou com medidas de segurança para garantir a integridade do preso e dos policiais responsáveis pela escolta.
A prisão ocorreu após João Batista permanecer foragido da Justiça de Mato Grosso. Segundo as investigações, ele foi localizado no Paraguai utilizando documentação falsa.
INVESTIGAÇÕES
João Batista é investigado em diferentes procedimentos relacionados à atuação de uma facção criminosa em Mato Grosso. Entre os casos está a investigação sobre a escavação de um túnel de aproximadamente 257 metros em direção à PCE, que, segundo as investigações, teria como objetivo possibilitar o resgate de integrantes da organização criminosa que estavam presos na unidade.
Ele também é apontado como investigado na operação que apurou o esquema de raspadinhas ilegais conhecido como Raspa Brasil Nacional. Conforme a Polícia Civil, João Batista teria exercido função de coordenação estadual e participado da administração de recursos relacionados à atividade.
Em outubro de 2025, equipes da GCCO/Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma chácara vinculada ao investigado. Na ocasião, quatro pessoas foram presas.
PERÍCIA PSIQUIÁTRICA
O retorno a Mato Grosso ocorre também em meio a uma determinação judicial para que João Batista seja submetido a uma nova perícia psiquiátrica.
Em decisão anterior, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que a avaliação seja realizada por uma junta formada por pelo menos três peritos da Politec-MT que não tenham participado dos exames anteriores.
A perícia deverá analisar o atual quadro psiquiátrico do investigado e verificar, entre outros pontos, eventual simulação, dissimulação ou exagero de sintomas, além da compatibilidade entre os comportamentos registrados no processo e os transtornos apontados em avaliações anteriores.
A nova avaliação não representa, por si só, uma conclusão sobre a existência ou inexistência de doença mental. O objetivo é esclarecer dúvidas levantadas no processo a partir de informações posteriores aos exames anteriores.
Após a chegada a Cuiabá, João Batista será encaminhado à Penitenciária Central do Estado e permanecerá à disposição da Justiça.
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