A decisão foi divulgada em uma carta enviada aos membros da instituição nesta quinta-feira, 1º, após consultas com organizações especializadas e conversas com o próprio Davidson. O ativista acompanhará a premiação por videoconferência, em um espaço separado e adaptado dentro do local do evento, ao lado de familiares e amigos.
A iniciativa ocorre pouco mais de sete meses depois de Davidson protagonizar um dos episódios mais controversos da cerimônia do Bafta. Durante a premiação do cinema, em fevereiro, ele gritou insultos raciais enquanto os atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo apresentavam uma categoria.
Carta da Bafta anuncia mudanças
Na carta, a presidente da instituição, Sara Putt, e a diretora-executiva, Jane Millichip, afirmaram que a organização realizou uma avaliação de riscos e consultou entidades como Tourettes Action e Tourette Scotland para definir as condições de participação de Davidson.
O ativista, que também é produtor executivo do longa, recebeu sete indicações ao prêmio Bafta Scotland, número considerado histórico pela organização.
A instituição afirmou que as adaptações foram planejadas para considerar as necessidades de Davidson e, ao mesmo tempo, preservar a segurança e a dignidade dos demais convidados.
A carta também detalha mudanças nos procedimentos internos adotadas após a repercussão do episódio de fevereiro. Entre elas estão a centralização dos protocolos de segurança e avaliação de riscos, a revisão dos canais de comunicação e o reforço das orientações destinadas a apresentadores, anfitriões e demais profissionais envolvidos nas cerimônias.
A Bafta informou ainda que tem consultado especialistas em inclusão, acessibilidade, raça e deficiência, além de desenvolver treinamentos para seus funcionários.
Na carta aos membros, a organização também reconheceu os danos causados à comunidade e afirmou que tem trabalhado para aprender com o episódio e tornar suas premiações mais inclusivas e seguras.
A Academia ainda ressaltou que manifestações vocais involuntárias associadas à síndrome de Tourette não representam as opiniões, crenças ou intenções de quem as apresenta. Ao mesmo tempo, reconheceu que tiques envolvendo expressões relacionadas a raça, religião, sexualidade ou outras características protegidas podem causar sofrimento a outras pessoas.
Entenda o episódio envolvendo John Davidson
A polêmica ocorreu durante a cerimônia do Bafta Film Awards, em 22 de fevereiro, quando Michael B. Jordan e Delroy Lindo subiram ao palco para apresentar uma das categorias.
Da plateia, Davidson gritou expressões ofensivas, incluindo um insulto racial direcionado aos atores. A transmissão da BBC, exibida com duas horas de atraso, censurou parte das manifestações, mas não impediu que o termo racista fosse ouvido pelo público.
Davidson tem síndrome de Tourette, condição neurológica caracterizada por tiques motores e vocais. Algumas pessoas apresentam coprolalia, manifestação que envolve a emissão involuntária de palavras ou expressões socialmente inadequadas.
Na ocasião, o ativista afirmou sentir profundo constrangimento caso alguém interpretasse seus tiques como intencionais ou como manifestações de suas opiniões.
A BBC também divulgou um pedido de desculpas pela linguagem ouvida durante a transmissão e esclareceu que as manifestações verbais eram involuntárias.
(Com Agência Estado)
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