De acordo com o banqueiro central, no contexto de aperto monetário, o encarecimento do crédito é apresentado como parte do mecanismo de transmissão da política monetária, que "gera restrições do ponto de vista do endividamento" e afeta o custo de tomar recursos. Ao mesmo tempo, de acordo com ele, a leitura do endividamento não é homogênea.
"Em pesquisas sobre o tema, aparece uma compreensão bastante heterogênea entre os brasileiros: muitas pessoas não se consideram endividadas se não houver atraso, mesmo quando têm financiamentos e parcelas em dia", disse ele.
Ainda de acordo com o banqueiro central, a pressão sobre o orçamento é relacionada ainda a sucessivos choques de oferta, descritos como degraus no custo de vida. "Ainda que indicadores como desemprego baixo e inflação baixa possam estar presentes, esses choques alimentam a sensação de perda de poder aquisitivo, já que a população percebe o aumento no preço de itens básicos. Nesse cenário, o uso do rotativo do cartão de crédito aparece como um ponto crítico", disse.
De acordo com Galípolo, o debate cita um produto com 60% de inadimplência, entendido como ruim tanto para quem oferece quanto para quem toma. Ele também disse que 40 milhões de pessoas físicas que pagam juros de 15% ao mês no rotativo do cartão além de boa parte da população tratar o rotativo como uma fatia da renda disponível, o que é problemático do ponto de vista estrutural e como algo que exige médias para ser endereçado.
(Com Agência Estado)
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