Em julho, a maioria dos dirigentes preferiu manter os juros e aguardar mais informações antes de agir. O entendimento era que a inflação continuava elevada, mas poderia desacelerar à medida que se dissipassem os efeitos de tarifas e dos choques de energia. Além disso, a equipe técnica ainda via os riscos para crescimento e emprego inclinados para baixo, o que reforçava a cautela com novas altas.
Em setembro, esse balanço mudou. Os riscos para a inflação continuaram inclinados para cima, enquanto os relativos ao mercado de trabalho passaram a ser considerados amplamente equilibrados. A perspectiva para a atividade e o emprego foi revisada para cima, com crescimento projetado acima do potencial até 2028 e desemprego abaixo da taxa de longo prazo até 2029.
Ao mesmo tempo, houve piora na percepção sobre a dinâmica dos preços. Em julho, prevalecia a expectativa de desaceleração da inflação no restante do ano. Em setembro, os dirigentes afirmaram não ter observado "progresso suficiente" na desinflação nos meses recentes e passaram a destacar com mais força o risco de persistência e disseminação das pressões de custos.
A inteligência artificial (IA) também ganhou peso como fonte de pressão inflacionária. Em julho, o Fed ainda equilibrava os efeitos do investimento sobre a demanda com o potencial desinflacionário de futuros fanhos de produtividade. Em setembro, o boom de IA passou a aparecer mais claramente como fator de pressão sobre demanda, custos e preços, com dirigentes alertando que o investimento no setor poderia fazer a demanda agregada superar a oferta.
(Com Agência Estado)
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