"Vou dizer o que significa tesouraço para essa gente. Corte de 59% do Farmácia Popular, foi o que encontrei no Orçamento para eu começar a trabalhar. Corte de 50,7% para o Mais Médicos. Corte de 45% para prevenção e controle do câncer. Corte de 97% na verba para infraestrutura escolar. Corte de 99% para prevenção de desastres. Foi uma aberração, apenas R$ 20 mil para trabalhar todos os problemas de calamidade", afirmou, em entrevista coletiva a jornalistas nesta quinta-feira, 8.
Lula continuou: "Corte de 95% para o Minha Casa, Minha Vida. Corte de mais de 90% para cisternas do semiárido. Corte de 95% para o sistema único de assistência social. Merenda escolar ficou cinco anos sem receber nenhum reajuste. E agora dizem que farão corte".
O presidente disse que, "no Brasil, toda vez que um governo fala que vai fazer corte, quando faz teto de gastos e fala em ajuste fiscal, eles não fazem para o rico perder alguma coisa, eles fazem a proposta para tirar do pobre".
Lula também afirmou que "aumentar o salário mínimo além da inflação para os aposentados não está na cogitação de nenhum governo conservador deste País".
As declarações ocorrem em meio ao debate eleitoral sobre ajuste fiscal e trajetória da dívida pública. Flávio Bolsonaro (PL) e integrantes de sua equipe econômica têm defendido um corte expressivo de despesas como parte de uma estratégia para reduzir o endividamento, embora ainda haja divergências e indefinições sobre quais gastos seriam atingidos.
Lula disse que a redução da relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) depende do crescimento da economia. A declaração foi dada em conversa com jornalistas.
"Só tem um jeito de fazer dívida reduzir com PIB, fazendo economia crescer", disse Lula. O presidente também afirmou que, nos oito anos de seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010, o governo registrou superávit primário em todos os anos.
"Vocês se lembram que a última vez que a economia cresceu acima de 3% foi em 2010, quando eu fui presidente, e só voltou a crescer quando eu voltei à Presidência", afirmou.
Lula disse ainda que pretende combinar o controle das contas públicas com investimentos para estimular a atividade econômica. "Ao mesmo tempo, vamos fazer a economia crescer com obras de infraestrutura", declarou, citando como exemplos as diferentes etapas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
(Com Agência Estado)
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