Nos quatro primeiros meses de 2026, a indústria faturou 2,5% a menos do que no mesmo período do ano passado.
A desaceleração da atividade industrial também é observada no número de horas trabalhadas na produção, que recuou 1,3% em abril e já acumula queda de 1,5% nos quatro primeiros meses de 2026 frente ao mesmo período do ano passado.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu de 77,5% para 77,1%. Na média dos quatro primeiros meses do ano, o uso do parque industrial caiu 1,5% em relação aos quatro primeiros meses de 2025.
"Os principais fatores por trás da perda de dinamismo da indústria de transformação são o patamar elevado das taxas de juros e suas consequências, como o encarecimento do custo do crédito e o aumento do endividamento das famílias e das empresas, reduzindo o espaço para o crescimento do consumo", explica Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI.
Ainda assim, o rendimento médio real pago aos trabalhadores industriais subiu 5,3% entre março e abril, revertendo três meses consecutivos de queda. No primeiro quadrimestre do ano, o indicador avançou 1,3% frente ao mesmo período do ano passado.
Movimento semelhante se observou na massa salarial. O indicador cresceu 5% entre março e abril e, agora, acumula alta de 0,5% nos quatro primeiros meses do ano.
"Embora a pesquisa mostre queda do emprego industrial pela sexta vez nos últimos 8 meses, é importante destacar que o mercado de trabalho, como um todo, continua bastante aquecido. Além disso, a taxa de desemprego registra mínimas históricas. Então, existe pouco espaço para o crescimento da ocupação e essa configuração acaba levando ao aumento dos salários", explica Larissa Nocko.
(Com Agência Estado)
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