Embora o avanço da commodity possa se traduzir em melhora dos termos de troca do Brasil, o real não escapa - pelo menos em um primeiro momento - do movimento de redução da exposição de investidores a divisas emergentes, observam operadores.
Com máxima de R$ 5,1403, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,47%, a R$ 5,1323 - interrompendo uma sequência três sessões de queda, em que acumulou desvalorização de 0,86%. A moeda americana recua 0,59% em julho, após avanço de 2,38% no mês passado. No ano, as perdas são de 6,50%.
O head de câmbio da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, observa que a questão do Oriente Médio voltou a pesar sobre o real após o bom humor visto na semana passada, quando a leitura benigna do IPCA de junho desencadeou um rali dos ativos domésticos.
"Apesar do otimismo da semana passada nos mercados, há uma grande preocupação com o comportamento da taxa de câmbio. Vimos um aumento das consultas sobre operações de hedge por parte dos importadores por conta do risco político e fiscal", afirma Viotto.
As cotações do petróleo renovaram máximas à tarde, com o contrato do Brent para agosto fechando em alta de 9,59%, a US$ 83,30 o barril. Pela manhã, Trump anunciou que os EUA vão assumir o controle do Estreito de Ormuz, com cobrança de pedágio. À tarde, autoridades americanas informaram que um bloqueio marítimo aos iranianos terá início na terça-feira, 14, a partir das 17h. Houve também relatos de ataques na região envolvendo Arábia Saudita, rebeldes do Iêmen e o próprio Irã.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY voltou a superar a linha dos 101,000 pontos, com máxima aos 101,288 pontos. As taxas dos Treasuries avançaram, com o retorno da T-note de 2 anos aproximando-se de 4,28 nas máximas do dia.
No início da tarde, o diretor do Federal Reserve Christopher Waller alertou que pode ser necessário aumentar os juros se o núcleo do índice de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) de junho - que será divulgado amanhã, 14 - for elevado. Além do CPI, investidores aguardam declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no Congresso americano na terça e na quarta-feira, 15.
O chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, observa que o dólar tem apresentado bom desempenho com base na ideia de que o Fed vai subir os juros. "Na ausência de forward guidance, os indicadores terão um papel mais importante para o câmbio", afirma, em nota, Turner, para quem o Fed não vai apertar a política monetária neste ano.
No caso do real, Turner pontua que, embora a moeda tenha sofrido recentemente com a alta global do dólar, a taxa de câmbio se mantém abaixo do nível de R$ 5,20. "A menos que haja uma escalada ainda maior dos preços do petróleo ou uma grande correção no mercado acionário que aumente a volatilidade, os próximos meses devem favorecer o real diante de juros implícitos de 13% (no Brasil)", afirma Turner.
(Com Agência Estado)
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