Apesar de relatarem certo desconforto nas mesas de operação com a provável indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, gestores de recursos ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado não viram impacto relevante na formação da taxa de câmbio.
Tirando uma queda pontual e bem limitada na primeira hora de negócios, quando registrou mínima de R$ 5,2370, a moeda americana trabalhou em terreno positivo no restante do dia. Com máxima de R$ 5,2815, o dólar à vista terminou o dia em alta de 0,22%, a R$ 5,2593, após recuo de 4,40% em janeiro.
"Temos uma ligeira alta do dólar aqui, enquanto outras moedas emergentes se apreciam. Parece mais algo técnico, já que o real vem de uma valorização bem forte", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, para quem não há mudança na tendência positiva para a moeda brasileira. "Embora o BC tenha deixado claro que vai iniciar o ciclo de corte da Selic em março, o diferencial de juros vai continuar bastante atrativo para o carry trade".
Lá fora, o índice DXY - que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - emendou o segundo pregão de alta firme e subia cerca de 0,70% no fim da tarde, ao redor dos 97,600 pontos, perto da máxima da sessão, aos 97,733 pontos. O Dollar Index ainda recua cerca de 0,65% no ano.
As taxas dos Treasuries avançaram em meio a sinais de vigor da economia americana. Principal indicador do dia, o índice de atividade industrial dos EUA elaborado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) subiu de 47,9 em dezembro para 52,6 em janeiro, bem acima do previsto pelos analistas.
Para o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, investidores ainda digerem a indicação do ex-diretor do Fed Kevin Warsh para a presidência da instituição no lugar de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Viotto pondera que o nome de Warsh diminuiu os temores de ingerência política no Fed, embora o ex-diretor tenha recentemente se mostrado a favor de um alívio monetário como defendido por Donald Trump.
"Warsh tem um histórico de ser mais duro com a inflação e também é crítico do aumento do balanço do Fed. Se ele assumir com essa postura, apesar de ser indicado por Trump, pode reduzir a tendência de queda global do dólar", afirma Viotto, para quem há espaço para nova rodada de apreciação do real neste primeiro trimestre, caso não haja surtos de aversão ao risco no exterior. "O dólar pode cair para R$ 5,00 neste primeiro trimestre, com a Selic ainda bem elevada e com a eleição presidencial ainda distante".
Em segundo plano nos últimos dias, o noticiário doméstico voltou a movimentar as mesas de operação com a indicação do economista Guilherme Mello por Haddad para uma vaga na diretoria do BC. A indicação foi revelada pela Bloomberg e confirmada pelo Broadcast.
Um experiente diretor de investimentos afirma, em condição de anonimato, que o tema foi tratado em conversas por gestores ao longo do dia. A avaliação é a de que Mello, pelo perfil heterodoxo e proximidade com o PT, destoaria do tom mais conservador adotado pelo BC na gestão de Gabriel Galípolo, que superou as desconfianças iniciais sobre a independência da política monetária ao ser escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir Roberto Campos Neto.
Um experiente gestor de recursos tece elogios a Mello e argumenta que é "muito difícil" relacionar o comportamento do real, que teve desempenho inferior aos pares, a indicação do secretário ao BC.
"Pode até ser que tenha tido alguma influência, mas eu sou muito crítico a essas reações do mercado, que sempre olha torto para quem não vem de um grande banco ou não é um amigo de academia", afirma o gestor, que cita o próprio caso de Galípolo, que, em sua avaliação, faz um "trabalho que Campos Neto não faria" ao apertar bastante a política monetária.
(Com Agência Estado)
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