Analistas destacam que as commodities metálicas, como ouro e prata, que subiram em uma onda especulativa diante da derrocada do dólar como reserva de valor, nesta sexta apresentaram queda de mais de dois dígitos. Entre as principais moedas globais, divisas emergentes foram as mais castigadas, com destaque para as latino-americanas e o rand sul-africano, os principais pares do real
Com máxima a R$ 5,2785, à tarde, o dólar à vista terminou o dia em alta de 1,04%, a R$ 5,2476. Apesar do repique, recuou 0,73% na semana e 4,40% em janeiro - a maior queda mensal desde junho de 2025, quando caiu 4,99%. Em dezembro, o dólar havia subido 2,89%, em razão do aumento de remessas ao exterior e do avanço dos ruídos políticos domésticos.
O diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, afirma que a escolha de Warsh para a presidência do Fed foi o gatilho para uma reprecificação dos preços de ativos, com correção de certos exageros vistos ao longo das últimas semanas.
"Tudo o que subiu muito recentemente está sofrendo uma realização forte nesta sexta. Ouro, prata e moedas emergentes têm quedas fortes", afirma Weigt, que não vê, contudo, as movimentações como uma mudança de tendência. "O fundamento não mudou. Continuo acreditando que os investidores vão buscar ativos fora do dólar, como ouro, bolsas e moedas emergentes".
Para Weigt, o real tende a se apreciar nos próximos meses, a despeito do início de um ciclo de corte de juros em março, como indicado na última quarta-feira, 28, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no comunicado em que anunciou a manutenção da taxa Selic em 15%.
"Para o real sentir a queda de juros, a taxa Selic teria que ir para 11% ou menos. E a questão eleitoral não deve ter grande influência no mercado até abril", afirma o tesoureiro.
Termômetro do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY (Dollar Index) subia cerca de 0,70% no fim da tarde, próximo dos 97,000 pontos, após máxima aos 97,102 pontos. O Dollar Index termina a semana com perda de 0,50% e recua mais de 1,30% em janeiro.
Entre os indicadores, destaque para o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) e seu núcleo nos EUA em dezembro, que superaram as expectativas dos analistas. Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra que as apostas majoritárias são de corte dos Fed Funds em junho.
Em publicação na rede social Truth Social nesta sexta-feira, Trump indicou Kevin Warsh à presidência do Fed. Warsh foi diretor da instituição entre 2006 e 2011 e teve atuação relevante na crise financeira de 2008.
O economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, observa que Warsh era "visto como um hawk" durante seu mandato, ou seja, defensor de uma política monetária mais restritiva. Olivares destaca, porém, que recentemente Warsh passou a apresentar uma postura mais similar à de Trump, "passando a defender a queda dos juros".
O desafio do novo presidente do Fed, segundo o economista, vai ser se equilibrar entre a pressão de Trump por mais afrouxamento monetário e a visão atual da maioria dos dirigentes do Fed contrária a novas reduções dos juros neste momento.
Para o sócio e economista-chefe da WHG, Fernando Fenolio, a escolha de Warsh pode eliminar "um risco de cauda relevante - o receio de que o Fed pudesse, de fato, perder sua independência".
"O que o Trump fez pode, na prática, ter sido a melhor escolha: alguém com credenciais suficientes para entregar o que ele deseja sem provocar um impacto dramático na ponta longa da curva de juros e, principalmente, no dólar", afirma Fenoli, em nota, ressaltando que Warsh tem legitimidade para conduzir o comitê de política monetária do Fed, o que reduz o risco de uma "rebelião interna".
Para Fenolio, é "perfeitamente possível" que haja dois ou três cortes de juros nos EUA no segundo semestre deste ano, sem a "aparência de uma intervenção grosseira ou excessivamente politizada por parte do governo Trump".
(Com Agência Estado)
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