Operadores afirmam que a moeda brasileira pode ter sido beneficiada por um movimento de correção, com investidores desfazendo posições defensivas montadas antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu na quarta, como esperado, a taxa Selic de 14,25% para 14%.
Os ganhos de mais de 3% do petróleo diante do aumento das tensões no Oriente Médio, com o barril do Brent voltando a superar US$ 80, também podem ter favorecido o real, via melhora dos termos de troca.
Em baixa desde o início dos negócios e com mínima de R$ 5,0906, o dólar à vista fechou em queda de 0,41%, a R$ 5,1073, mas ainda acumula valorização de 0,73% nos quatro primeiros pregões de agosto, após recuo de 1,79% em julho. No ano, as perdas são de 6,95%.
Para o superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, o tom mais firme do Copom na quarta abriu espaço para o dólar devolver um pouco da alta vista no início da semana, quando o real foi abalado pelo aumento de ruídos políticos, como a escalada dos atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos.
"Olhando para dados recentes, como a produção industrial, o mercado já estava precificando que o Copom daria um sinal de extensão do ciclo de cortes. O BC não fechou as portas para nova redução de 0,25 ponto, mas o tom do comunicado é mais para pausa do que para queda", afirma Jacques Zylbergeld.
O economista-chefe para América Latina da consultoria Pantheon Macroeconomics, Andrés Abadia, ainda espera novo corte da taxa Selic em 0,25 ponto porcentual em setembro, mas pondera que a "crescente incerteza política sugere cautela, pois pode manter as expectativas de inflação elevadas e limitar o espaço para alívio adicional nos juros".
Para Abadia, os termos de troca favoráveis e o apelo do carry trade, mesmo com redução da Selic, continuam a dar sustentação ao real. É improvável contudo, que haja um movimento sustentado de apreciação da moeda, observa. "A taxa de câmbio deve permanecer em uma faixa entre R$ 5,05 e R$ 5,25 até as eleições", afirma.
Lá fora, o dólar ganhou força em relação a moedas fortes, com o índice DXY voltando a superar a marca dos 100,000 pontos na máxima da sessão, aos 100,020 pontos. As taxas dos Treasuries também avançaram em bloco com a alta do petróleo e a informação do Financial Times de que o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, estaria inclinado a votar por alta dos juros em setembro caso as próximas leituras de inflação surpreendam para cima.
O superintendente de câmbio do Banco Rendimento ressalta que, mesmo em um cenário que combine alta de juros nos EUA em setembro com nova redução da taxa Selic, o diferencial entre juros internos e externos permanecerá bem elevado, mantendo a atratividade das operações de carry trade. Apesar do provável aumento da volatilidade por conta do noticiário político, Zylbergeld não trabalha com uma alta expressiva do dólar.
"Em um momento de maior estresse, o câmbio pode ir para cerca de R$ 5,20. O carry e o fluxo ainda são muito favoráveis. De outro lado, já vimos que o dólar não consegue se manter abaixo de R$ 5,00", afirma Zylbergeld, ressaltando que, na ótica do investidor estrangeiro, não há preocupação com a eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
(Com Agência Estado)
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