Pela manhã, o dólar chegou a se aproximar do piso de R$ 5,18, com mínima de R$ 5,1813, mas reduziu o ritmo de baixa ao longo da tarde, em sintonia com o exterior, com a escalada das taxas dos Treasuries na esteira da aceleração dos ganhos do petróleo.
O contrato do Brent para outubro superou US$ 90 o barril, em alta de 2,65%, com o aumento das tensões no Oriente Médio. O aumento da aversão ao risco se sobrepõe, na formação da taxa de câmbio, a uma eventual melhora dos termos de troca do País com a valorização da commodity.
Depois de oscilar ao redor de R$ 5,20 nas duas últimas horas de negócios, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,36%, a R$ 5,2012. A moeda avança 2,58% frente ao real em agosto, após desvalorização de 1,79% em julho. No ano, as perdas são de 5,24%.
Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, houve, na semana passada, um ajuste do posicionamento do investidor estrangeiro em relação ao Brasil diante da proximidade da eleição presidencial, o que acabou derrubando tanto a bolsa quanto jogando o dólar para cima.
"A perspectiva da moeda vai depender muito de se o BC vai continuar cortando os juros. Acredito que ele siga cortando até o fim do ano", afirma o gestor, ressaltando que dados recentes mostram perda de fôlego da atividade e da inflação. "Nos EUA, eu acho que o Federal Reserve não vai subir os juros neste ano, mas, se subir, vai ser negativo para o real."
Divulgado pela manhã, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,64% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast (0,50%). Economistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) afirmam que os números reforçam a percepção de arrefecimento da atividade.
No campo eleitoral, Bacelar vê dias mais difíceis para o real qualquer que seja o desfecho da corrida presidencial. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza dificuldades no campo fiscal, o que pode pressionar o câmbio. Um eventual ajuste fiscal mais robusto em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) pode abrir mais espaço para redução da Selic, o que também reduziria a atratividade do real.
"Com a vitória da oposição, vamos ter uma estrutura que o Paulo Guedes tentou montar, com fiscal mais apertado e monetário mais frouxo, o que resulta numa moeda mais depreciada", afirma o gestor da Azimut, em referência ao ex-ministro da Economia do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O dia foi marcado também pela atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Além da chamada "ração diária" de rolagem de swaps, com venda de 50 mil contratos (US$ 2,5 bilhões), o Banco Central vendeu a oferta integral de US$ 1 bilhão em linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para rolagem do vencimento de 2 de setembro.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operava na casa dos 99,500 pontos por volta das 17h, em baixa de 0,08%, após mínima aos 99,294 pela manhã. O Dollar Index recua cerca de 0,20% em agosto, mas ainda sobe mais de 1,30% no ano.
Após a safra recente de indicadores de atividade e inflação nos EUA, a perspectiva de manutenção da taxa básica americana em setembro passou a ser majoritária. A expectativa é de que a ata do encontro de política monetária do Federal Reserve no fim de julho, que sai nesta quarta-feira, 19, confirme a divisão dentro do BC americano em torno da necessidade de uma alta de juros neste ano.
O economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, lembra que os falcões ganharam força no Fed recentemente, com três dirigentes votando por aumento dos juros em julho. "Mas, após dados mais fracos de emprego e inflação, é difícil ver os mais moderados mudando a posição a favor da alta de juros", afirma Hatzius, em relatório.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









