As taxas de um e dois anos recobraram fôlego e aceleraram ainda mais pouco depois das 16 horas, antes da coletiva dos ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Planejamento, Bruno Moretti; e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para anunciar medidas do governo contra o aumento de preços nos combustíveis.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,046% no ajuste anterior para 14,17%. O DI para janeiro de 2029 fechou em máxima intradia de 13,725%, vindo de 13,68% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 passou de 13,797% a 13,795%.
"Houve um receio dessa coletiva do Durigan, de que pudesse vir algo muito heteredoxo, mas não foi o caso", disse um gestor de renda fixa de uma asset grande ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Na coletiva, foi anunciada a subvenção de R$ 1,20 por litro de diesel a distribuidoras que importam o produto, que terá um custo total de R$ 4 bilhões, dos quais metade será bancado pela União. Também foi zerada a cobrança de PIS e Cofins sobre o Querosene de Aviação (QAV) e o biodiesel. Por fim, o governo informou uma terceira subvenção ao diesel, de R$ 0,80 por litro, válida por dois meses e prorrogável, se necessário.
Sobre a alta mais expressiva nos trechos curtos, que permaneceram em abertura de cerca de 12 pontos-base rumo ao final da sessão, o profissional cogita que pode haver também um receio dos investidores com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, a ser divulgado na sexta-feira. O dado deve trazer pressão significativa sobre o grupo de transportes, com avanço dos combustíveis, e acelerar a 0,76%, após aumento de 0,70% em fevereiro, de acordo com estimativa da Warren Investimentos.
Durante evento na FGV, Gabriel Galípolo observou que, em nível global, as expectativas futuras para a inflação têm subido menos do que as projeções para os juros. "Isso machuca muito o mercado, tecnicamente você tem essa revisão das posições, que costuma gerar algum tipo de ruído e sujeira. Dificulta separar o que é técnico do que é sinal mesmo dos preços de mercados que estão sendo extraídos", comentou.
Em relação ao Brasil, o presidente do BC destacou que está sendo registrado um avanço em horizontes mais longos das expectativas inflacionárias, notadamente para 2028. "Não vi nada de especial, mas há quem tenha achado Galípolo mais 'hawk', porque citou 2028 e expectativas", relatou o gestor, em condição de anonimato.
O boletim Focus mostrou que a mediana de estimativas para a alta do IPCA em 2027 subiu pela quarta semana seguida, de 4,31% a 4,36%. A projeção para 2027 oscilou de 3,84% a 3,85%, e a de 2028 aumentou pela terceira semana consecutiva, de 3,57% a 3,60%.
"O cenário de hoje, de volatilidade nos preços do petróleo e expectativas no Focus piorando, tenderia a produzir essa alta das taxas curtas, mas não vejo razão para uma alta de 10 pontos-base. E não tem a ver com Galípolo, nem com Trump", avalia Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG.
Serrano pondera, no entanto, que a perspectiva de que a política monetária fique mais apertada no curto prazo e frouxa no médio prazo, uma vez que o choque causado pela guerra também tem efeito negativo sobre a atividade, é compatível com o achatamento da curva, ou seja, o movimento de alta maior nos prazos mais curtos e queda nos trechos longos.
(Com Agência Estado)
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