Segundo divulgado pela revista Veja, a chef questionou o proprietário da delicatessen sobre a ausência de produtos tradicionais da celebração judaica, como o matzá, pão sem fermento, e ouviu como resposta que o estabelecimento "não comprava mais produtos judaicos, que estava cansado dos judeus e que não venderia mais para esse público".
Na sequência, ela perguntou se deveria deixar de frequentar o local e o comerciante teria respondido que sim.
A delicatessen Delly Gil divulgou uma nota afirmando não compactuar com qualquer forma de desrespeito ou preconceito. "Se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pedimos desculpas. Não é essa a forma como conduzimos nossa relação com clientes ao longo de todos esses anos", disse. O estabelecimento afirmou ainda ser uma empresa familiar, com histórico de convivência com diferentes públicos, incluindo a comunidade judaica, e disse estar à disposição para diálogo.
Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) informou que já adotou medidas legais em relação ao caso e notificou o estabelecimento para prestar esclarecimentos. "Nossa Procuradoria está acompanhando o caso de perto, atuando na elaboração dos documentos necessários e prestando total apoio às vítimas, inclusive no acompanhamento das medidas cabíveis", afirmou a entidade.
Procurada para informar se houve registro de boletim de ocorrência sobre o caso, a Polícia Civil do Rio de Janeiro não retornou.
Bar no Rio é multado por placa dizendo que cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos
No fim de semana, outro episódio envolvendo discriminação gerou repercussão na capital fluminense. O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) do Rio multou um bar na região da Lapa, no centro da cidade, após o estabelecimento exibir um cartaz com a frase: "cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos".
O bar Partisan foi penalizado em R$ 9.520 pela prática considerada discriminatória. O aviso foi colocado em meio à guerra envolvendo os dois países e o Irã. Em nota, o Partisan Bar afirmou que recebe pessoas de todas as nacionalidades e negou qualquer prática de discriminação.
O estabelecimento declarou que não houve recusa de entrada com base em origem ou religião e que a placa exibida tinha caráter político, como forma de protesto contra ações do Estado de Israel no contexto do conflito no Oriente Médio. O bar informou ainda que pretende recorrer da multa aplicada pelo Procon e iniciou uma campanha de arrecadação para custear a defesa e a realização de eventos sobre o tema.
A legislação brasileira proíbe esse tipo de conduta. A Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes de racismo, prevê punição para quem impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimento comercial por motivo de procedência nacional, com pena que pode chegar a três anos de prisão.
(Com Agência Estado)
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