Principal termômetro das expectativas em torno do desenrolar do conflito, os preços do petróleo avançaram, mas de forma bem modesta. O contrato do WTI para maio subiu 0,77%, a US$ 112,41 o barril. Já o contrato do Brent para junho, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 0,68%, a US$ 109,77 o barril. A commodity chegou a esboçar uma queda no início do dia diante de relatos sobre negociações entre EUA e Irã, mas voltou a subir após Teerã recusar proposta para um cessar-fogo e as declarações de Trump.
Por aqui, o dólar oscilou ao sabor do noticiário externo, rondando a maior parte da tarde o patamar de R$ 5,15, após registrar mínima de R$ 5,1399 pela manhã. No fim do pregão, o dólar à vista recuava 0,26%, a R$ 5,1465 - menor valor de fechamento desde 27 de fevereiro (R$ 5,1340), véspera do início da guerra no Oriente Médio. Após alta de 0,87% em março, o dólar recua 0,62% nos três primeiros pregões de abril. No ano, as perdas são de 6,24%.
"O comportamento do câmbio está muito ligado ao noticiário sobre a guerra, com declarações de Trump provocando muita volatilidade. Vejo o mercado muito apegado ao nível de R$ 5,15 para o câmbio no curto prazo, remontando posições defensivas sempre que esse patamar é rompido", afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, acrescentando que, apesar das incertezas, ainda há fluxo de estrangeiros para a bolsa doméstica em busca de ações "muito descontadas".
À tarde, Trump reiterou que o prazo final para um acordo com o Irã expira nesta terça-feira, às 21h (horário de Brasília) e disse que um "inferno" se abaterá sobre Teerã caso não haja um cessar-fogo. "O país inteiro pode ser eliminado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã", disse Trump em coletiva na Casa Branca, mencionando ataques a pontes e à infraestrutura energética.
No estilo morde-e-assopra, Trump disse que a recente oferta iraniana representa um "grande passo", embora não atenda às exigências dos EUA, e acrescentou que os interlocutores em Teerã têm se mostrado "razoáveis". Ele ainda relatou que os americanos têm um participante ativo e disposto nas negociações.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade no fim da tarde, orbitando os 100,000 pontos, após máxima aos 100,286 pontos. Entre moedas emergentes e de países exportadores de commodities, destaque para o peso mexicano e, sobretudo, o florim húngaro, com ganhos de cerca de 1%.
Na última sexta-feira, 3, com os mercados fechados em razão do feriado da Sexta-Feira Santa, saíram dados fortes do mercado de trabalho nos EUA. O relatório de emprego (payroll) mostrou geração de 178 mil vagas de emprego em março, bem acima da mediana de Projeções Broadcast, de 51 mil.
A possibilidade de recrudescimento da inflação em razão da alta dos preços do petróleo, aliada a ausência de sinais de perda maior de fôlego do emprego, lança dúvidas sobre possível retomada de corte de juros pelo Federal Reserve neste ano. Analistas ponderam que os riscos de um quadro de 'estagflação' com o choque nos preços de energia tornam a gestão da política monetária ainda mais desafiadora.
"O mercado de trabalho nos EUA está aquecido, o que torna difícil apostas em novos cortes de juros, até porque declarações recentes de autoridades do Fed vão no sentido inverso, de cautela com a inflação. Isso limita o espaço para enfraquecimento do DXY", afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.
Por aqui, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou, em evento, que a cautela adotada na condução da política monetária permite ao Banco Central enfrentar o atual choque de oferta em condição mais favorável. Ele também disse que a taxa de câmbio está bem comportada, com o real beneficiado não apenas pelo fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo, mas também pelo "carry" elevado.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.







