Economia Quarta-feira, 04 de Maio de 2011, 18:15 - A | A

Quarta-feira, 04 de Maio de 2011, 18h:15 - A | A

PROVOCAÇÃO

Consumidores marcam protesto em posto de combustível pelo Facebook

Donos de carros vão colocar apenas o equivalente a 50 centavos no tanque e pagar com cartão ou 50 reais

 

Arquivo
Reação contra aumento de combustível deve ocorrer em todo país na próxima semana

Cerca de 400 pessoas já confirmaram presença em Cuiabá no dia 14 de maio, a partir das 9h, por meio do site de relacionamentos Facebook, no protesto nacional contra o aumento interminável do preço dos combustíveis. Os consumidores na Capital já definiram local, data e hora marcada para manifestar suas insatisfações. A manifestação batizada de “Na mesma moeda” vai ter como palco o Posto Seminário, situado na avenida Tenente-Coronel Duarte (Prainha).

Um dos organizadores do protesto em Cuiabá, Evertom Almeida da Silva, explica que a grande atuação do movimento, cujo nome vem de encontro à proposta – “Na mesma moeda” – consiste em abastecer o carro com apenas R$ 0,50, e pagar preferencialmente no cartão de crédito ou débito, exigindo o cupom fiscal da compra. “Desta forma o posto acaba tendo um leve prejuízo. Cerca de R$ 5,00 por abastecimento”, pontua.

Ao onerar o posto de combustível selecionado e literalmente mobilizar seus serviços, abastecendo uma quantia desprezível e optando pelos cartões bancários – que cobram porcentagens que variam entre 2% e 2,5% sobre o valor da transação, dependendo da operadora – os manifestantes têm como objetivo fazer dos postos de combustíveis – relação direta com o consumidor – uma ponte de diálogo entre o governo, responsável pelos altos tributos.

Substituir a moedinha de R$ 0,50 por uma nota de alto valor também é outra ação proposta no dia. “É uma medida um pouco mais amena, mas que vai prejudicar o controle financeiro do caixa”, conta Evertom, sem temer retaliação por parte do dono do posto. “Então eles que façam pressão ao governo, já que estão recebendo pressão para amenizar os preços”.

Segundo Evertom, o Posto Seminário foi escolhido devido à localização estratégica, e a mobilização tem como reflexos a mobilização promovida pelo Sindipetróleo, em outubro de 2010, ao comercializar a gasolina a R$ 1,38 no ato intitulado “Dia sem Imposto” – quando na época a gasolina ultrapassava um pouco mais de R$ 2,50 .

OUTRO LADO

O presidente do Sindipetróleo, Aldo Locatelli, afirmou ser a favor de demonstrações civilizadas de insatisfação, desde que respeitem o limite do outro. “É um protesto que vai sacanear os donos de postos quando na verdade o vilão é o Estado. O ideal seria sentar e discutir, expor ideias. Eu me proponho a conversar com eles (os manifestantes), mostrar notas, quanto custa. Ninguém pode falar da minha falta de lealdade”.

O presidente alerta que a manifestação estaria passando à população a ideia equivocada de que os postos são os responsáveis pelos preços altos dos combustíveis, sendo que a porcentagem de lucro destinada a eles na venda seria de apenas 8% a 10%, dependendo do custo operacional de cada empresa, enquanto que os impostos federais cobrados na gasolina contabilizam 25%.

“A maldade é também com quem está fraco neste momento. A coisa também está difícil para nós, não só para eles [os consumidores]. A intenção dessa manifestação é lesar o posto, mas o posto não é o culpado. O proprietário é trabalhador, uma pessoa humilde, e já enfrentou muitos problemas. Já foi baleado, teve seu filho ameaçado”, desabafou Locatelli com exclusividade ao Hipernotícias.

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