Na avaliação do assessor econômico da FecomercioSP, André Sacconato, o recuo do indicador pelo terceiro mês consecutivo reflete o atual contexto econômico nacional, em que os empresários já começam a observar o impacto do aumento dos custos e os sinais da desaceleração das vendas sobre as receitas de seus negócios e consequentemente sobre as margens de lucro. Muitas das empresas que relataram falta de confiança aos questionamentos da FecomercioSP admitiram estar sofrendo o amargor de dívidas que foram se acumulando ao longo dos últimos anos.
"Além disso, o conflito no Oriente Médio, com seus efeitos sobre o preço do barril de petróleo, aliado às incertezas do cenário internacional - fatores que influenciaram, inclusive, um corte menor da taxa Selic -, impacta negativamente a confiança das empresas", acrescentou o economista.
A expectativa, segundo a entidade, era de uma nova reação do indicador com o início da queda da Selic e a chegada de datas comemorativas, como o Dia das Mães. Contudo, como o corte da taxa foi menor do que o esperado, ele não foi suficiente para sustentar a confiança do empresariado.
Com os juros elevados e a inadimplência em alta também afetam negativamente o consumo, a FecomercioSP recomenda que os negócios adotem uma postura mais cautelosa em relação a novos investimentos e à formação de estoques. No entanto, apesar da queda mensal, o ICEC registrou alta de 2,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Confiança do Consumidor
A queda na confiança do empresário paulista dialoga com o movimento também de queda do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que na mesma base de comparação, na margem, recuou 3,8% em abril. Entretanto, mesmo tendo caído mais que a do empresário, a confiança do consumidor permaneceu ainda muito acima do limite que separa o otimismo do pessimismo, estabelecendo-se em 121,1 pontos.
De acordo com Sacconato, isso se deve ao fato de o consumidor ainda estar se sentindo seguro em relação à sua permanência no emprego e ao aumento de sua renda decorrente da política de valorização do salário mínimo do governo federal e os repasses de renda para a camada mais pobre da população por meio dos programas sociais.
"Serão mais de R$ 200 bilhões espalhados na economia este ano por novos programas, Bolsa Família e BPC Benefício de Prestação Continuada", observou o assessor econômico da FecomercioSP.
Para ele, a cobrança do preço disse virá em uma fatura que poderá chegar no segundo semestre. Isso, de acordo com Sacconato, explica em parte o porquê de os subindices que medem as expectativas dos empresários e dos consumidores terem caído, pela ordem, 4,3% e 5% em abril em relação a março.
(Com Agência Estado)
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