O principal índice da bolsa recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos, afastado da mínima do dia em 183 mil pontos, mas também distante da máxima em 187 mil pontos. O giro financeiro do dia foi relativamente menor do que os últimos pregões, em R$ 17 bilhões. No mês até agora, a performance do Ibovespa ainda é positiva em 4,56%.
Em mais um capítulo dos conflitos no Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou que está disposto a negociar um acordo com o Irã. Embora isso tenha ajudado a arrefecer a alta do petróleo, a commodity terminou o dia com avanço de 1,02%, a US$ 105,68 o barril. Com os preços novamente se firmando acima dos US$ 100, renovam-se os receios sobre o comportamento da inflação global.
"A interrupção do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, elevou os preços do petróleo bruto e pesou sobre os mercados acionários em todo o mundo", afirma Diego Barnuevo, analista de mercados da Ebury.
Desde o começo do dia, os investidores também repercutiam declarações dadas pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, e o empresário Elon Musk, dono da SpaceXAI, a respeito de riscos associados ao avanço acelerado da inteligência artificial e a necessidade de reforçar a segurança e a capacidade de controle dos modelos.
Os receios em relação ao tema provocaram um aumento da cautela com ativos de risco porque uma eventual desaceleração do desenvolvimento dessas tecnologias impõe desafios sobre o desempenho futuro das companhias do setor, que têm sido altamente rentáveis e responsáveis por atrair capital para o mercado americano nos últimos anos.
"Vejo o Ibovespa tendo relação com o movimento lá fora, com o tema da inteligência artificial e as falas de empresários importantes sobre o tema pesando no mercado e um movimento de aversão ao risco", afirma Bruno Ponciano, assessor de investimento da InvestSmart.
Nem mesmo dados mais favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência, divulgados hoje na pesquisa Quaest, foram suficientes para dar suporte ao índice. Para analistas, o mercado também entra em modo de espera por mais confirmações sobre a popularidade de Flávio nas pesquisas diante dos imbróglios envolvendo as investigações em seu nome.
"O mercado brasileiro começa a semana com três pontos de atenção: as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, a pressão do petróleo e os desdobramentos do caso Vorcaro e Banco Master. Na minha avaliação, o caso adiciona incerteza política e institucional em um momento em que os investidores já estão mais sensíveis às notícias. Isso pode aumentar a procura por proteção e limitar o efeito positivo de uma eventual redução da Selic", afirma Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena.
(Com Agência Estado)
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