O dia foi também de prosseguimento de relativa acomodação do dólar, negociado na casa de R$ 5,20 no fechamento, em baixa de 0,57% na sessão. Prevaleceu a suavização, desde a segunda-feira, da percepção de risco sobre o conflito no Oriente Médio. O Brent, contudo, seguiu acima de US$ 100 por barril, em alta de 3,2%, a US$ 103 por barril no contrato futuro mais negociado em Londres. Em Nova York, Dow Jones +0,10%, S&P 500 +0,25% e Nasdaq +0,47%.
Na B3, em sessão quase estável para o principal papel do índice, Vale (ON +0,15%), e negativa para os bancos (Itaú PN -0,67%, Santander Unit -1,18%), destaque para o avanço nas ações de Petrobras (ON +1,22%, PN +1,76%). Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, Natura (+8,46%), que divulgou balanço trimestral, à frente de CSN (+5,14%), Prio (+4,83%), Braskem (+4,37%) e PetroReconcavo (+3,96%). No lado oposto, Magazine Luiza (-8,13%), devolvendo parte do ganho da segunda-feira, ao lado de Cosan (-4,22%) e de Brava (-3,33%).
Na véspera das deliberações sobre juros nos EUA e no Brasil, os rendimentos dos Treasuries recuaram, mas a curva do DI virou e passou a subir no meio da tarde. A possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros ganhou força nos últimos dias e pode se concretizar até o fim da semana, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão.
A declaração marca uma mudança de tom do dirigente em meio à rápida deterioração de custos do transporte rodoviário. "Pode acontecer até o fim de semana", disse Chorão ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Em paralelo, na véspera da deliberação do Copom, a curva de juros passou a refletir um fator de risco que não aparecia no radar, no curto prazo. Com a virada nos juros futuros, o Ibovespa também limitou os ganhos da sessão, do meio para o fim da tarde. Mais cedo, as ações de Petrobras, que davam algum dinamismo ao Ibovespa, subiam mais de 3%, com a progressão do petróleo.
Na agenda externa, o presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmou que a ofensiva americana no Irã será de "curta duração" e que Washington está avançando rapidamente em seu cronograma. "Mais algumas semanas, não vai demorar muito. Estamos bem adiantados", disse Trump em discurso no Almoço dos Amigos da Irlanda. Mais cedo, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, comentou que as incursões têm prazo previsto de quatro a seis semanas. A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, um sábado, está agora em sua terceira semana - ou seja, aproximadamente a metade do prazo máximo indicado pelo governo americano.
"Fica claro que os mercados globais se beneficiam de uma melhora de perspectiva em relação à duração do conflito no Oriente Médio, com declarações do presidente Donald Trump de que as ações americanas durarão, no máximo, mais algumas semanas, e após a morte de figuras-chave no regime iraniano", diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Também nesta terça-feira, Trump afirmou que "não precisa ou deseja" a assistência de países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em operações militares, após a recusa da aliança militar em participar dos ataques contra o Irã no Oriente Médio. "Os EUA foram informados pela maior parte dos nossos 'aliados' da Otan de que não querem se envolver na nossa operação militar contra o regime terrorista do Irã, apesar de praticamente todos os países concordarem com o que fazemos", escreveu na Truth Social. Segundo ele, a Otan também concorda que o Irã não pode possuir uma arma nuclear "em qualquer forma ou tamanho".
Dados mostram que 15 navios conseguiram transitar pelo Estreito de Ormuz nos últimos três dias, segundo a plataforma de monitoramento MarineTraffic, em publicação no X. Foram oito navios de carga seca, cinco petroleiros e dois transportadores de gás natural GLP. Cerca de 87% foram trânsitos de saída de Ormuz, com muitas embarcações em rotas incomuns, pelas águas territoriais do Irã.
"Amanhã temos superquarta, com as decisões do Fed e do Copom sobre juros. Hoje foi uma sessão mais tranquila, sem pressão de agenda de dados relevante. Mercado segue de olho também no Estreito de Ormuz e no mercado de petróleo, que vem de uma correção importante, e que voltou a subir, sem uma resolução ainda à vista para a guerra no Oriente Médio", diz Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos.
Ele enfatiza também a reprecificação da decisão desta quarta-feira sobre a Selic, que deve cair de 15% para 14,75%, e não mais para 14,50% ao ano como a maioria do mercado projetava até a eclosão do conflito, no fim de fevereiro. "Aumento de risco também impacta o número de cortes previstos para a taxa de juros americana, ante o grau de incerteza global maior, com efeito também para inflação", acrescenta Moreira. "Amanhã, vai ser importante observar também como o Copom, no comunicado, está avaliando o cenário externo."
"O mercado tem apostado um pouco mais em vias diplomáticas para a solução do conflito com o Irã, que impacta demais o mercado de petróleo e traz muita tensão aos investidores pelo aumento da volatilidade, sem falar também no efeito para a inflação global, o que leva a precificar juros altos por mais tempo", diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
(Com Agência Estado)
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