Terça-feira, 21 de Abril de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Cuiabanália Sexta-feira, 08 de Abril de 2016, 17:11 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Sexta-feira, 08 de Abril de 2016, 17h:11 - A | A

VEJA O VÍDEO

Radialista, professor e autor do Dicionário Cuiabanês, William Gomes relembra casos folclóricos

MAX AGUIAR

Maria Taquara, Zé Bolo flor, General Saco, Caixeiro Viajante, Joaquim Vermeio, Calazanz, Maira Pretinha, Jejé de Oyá e por aí vai. Esses são alguns nomes de pessoas que fazem parte do folclore cuiabano. Todos já são falecidos, mas ficarão marcados pra sempre na história de Cuiabá, que completa 297 anos nesta sexta-feira (8).

 

Algumas dessas figuras são lembradas pelas histórias contadas pelo professor aposentado William Gomes. Além de docente, ele é radialista e autor do Dicionário Cuiabanês. Com um jeito extrovertido, sentado em uma mesa de bar, curtindo a tarde cuiabana, ele recebeu o HiperNotícias e relatou um pouco da vida dessas figuras que sempre estarão estampadas como nomes de praças, ou parques, ou simplesmente na memória dos mais antigos.

 

Alan Cosme/HiperNotícias

William Gomes

General Saco

"Esse homem se intitulava como um militar da reserva. Andava com um saco de tranqueira nas costas. Então, o cuiabano o apelidou de General Saco. Ele não era militar coisíssima nenhuma. O cuiabano é bom pra por apelido em qualquer um, aí já viu. Apelidou esse homem que andava por aí pelas principais ruas da cidade nos anos 1950 e 1960".

 

Zé Bolo Flor

"Era um compositor que andava pelas ruas de maneira maltrapilha e ninguém dava valor no que ele falava ou escrevia. Quando ele morreu, aí a dupla Henrique e Claudinho começou a gravar algumas composições dele. Aí o povo passou a conhecer. Outros já conhecem esse homem por ter o nome em um parque da cidade".

 

Joaquim Vermeio

"A figura folclórica depende do lugar que você vai. Por exemplo: algumas figuras que só existiam no futebol. Joaquim Vermeio é um deles. Ele ia assistir aos jogos e sempre ficava gozando os atletas com sua voz estridente. Ele era um açougueiro que ficou conhecido por estar sempre gritando no campo. Tinha muita gente como esse Joaquim que só era conhecido em certos pontos da cidade, mas quem ia no Dutra ver jogo sabia que ia ver o Joaquim".

 

Alan Cosme/HiperNotícias

William Gomes

Maria Taquara

"Essa é muito conhecida, até mesmo porque tem uma praça no Centro com seu nome. Ela andava com uma calça e uma saia por cima. Estava sempre pelo centro da cidade e trabalhava em casa de família. Lavava, passava e vivia desse trabalho. Era uma figura bastante conhecida. Eu conheci Maria Taquara e essa história de que ela corria atrás de gente na rua é verdade, porque ela fazia dessa corrida um atributo de defesa. Criançada ficava perturbando ela, ela logo corria. Sobre de dia ela ser Maria Taquara e de noite ser Maria Meu Bem, também é verdade. Ela morava ali perto do Batalhão do Exército na Avenida Lava Pés, morava numa barraquinha no mato e a noite ela recebia alguns homens lá. Literalmente o 'pau pegava'. Ela era uma mulher trabalhadeira, mas só depois que morreu que ficou conhecida".

 

Calazanz

"Esse era operariano com força. Pequininho, magrinho, e só ia bêbado no estádio. Esculhambava Deus e o mundo. Não perdia um jogo e gritava sempre. Ia com bandeira e a garganta sempre afiada. No Dom Bosco também tinha e no Mixto tinha nhá Barbina e Xinxarrinha".

 

Professor Ezequiel

"Esse era um professor de português, de família cuiabana e falava vários idiomas. Só que depois de um certo tempo ele ficou meio lelé da cuca e começou a andar por Cuiabá com um bando de cachorros. Certo dia, isso é o povo que conta, não sou eu, mas dizem que no Centro de Cuiabá, onde tem a Secretaria de Cultura, antigamente tinha um hotel chamando Grande Hotel, era o melhor hotel do Estado, do lado do Cine Teatro. Tinha uma área onde, à tarde, o povo que vinha pra Cuiabá trabalhar ficava lá bebendo e conversando. Aí um dia um caixeiro viajante perguntou como era Cuiabá. Um dos funcionários respondeu que era uma cidade tranquila e que qualquer um falava inglês, francês, espanhol. O cara respondeu: vai mentir pra lá. O funcionário falou, então espera aí. O professor Ezequiel ia passando e ele o chamou. “Professor, conversa com esse homem aí, só que em francês”. E o papo fluiu. Em vários idiomas. O caixeiro ficou impressionado. Esse professor ficou louco com o tempo e o povo falava que era de tanto estudar, mas não foi. Só sei que o caixeiro saiu daqui falando pra todo mundo que em Cuiabá todo mundo falava outras línguas".

 

Maria Pretinha

"Essa era magrela, preta e não saía do Centro de Cuiabá. Ela ficava por ali e tinha uma mania muito feia: do nada, quando você chegava perto dela, ela pegava no saco dos homens. (risos) Os homens pulavam longe e todo mundo em volta ria, e ela também ria. Essa ficou marcada, até que sumiu da cidade".

 

Contos

"Aqui em Cuiabá tem um ditado muito famoso que diz que quem come cabeça de pacu não sai mais daqui. Certo tempo um caixeiro viajante veio pra cá e acabou ficando com uma mulher. Ele estava aqui a trabalho e certo dia, em um almoço, ele comeu um ensopadão de cabeça de pacu e pros amigos ele disse que esse ditado num caberia com ele, pois ele iria embora e não mais voltaria. Só que essa mulher que ele ficou aqui em Cuiabá engravidou, e ele foi embora. Lá em São Paulo, ou Nordeste, não lembro muito, ele teve a grata surpresa de que o pai da moça foi armado na casa dele e obrigou ele a vir pra cá na mira do revólver. E a história reverteu. De um jeito ou de outro a história funciona. Ele morreu esse tempinho atrás. Não vou falar o nome dele por ética, mas que aconteceu, aconteceu... Quem contou isso foi a professora Dunga Rodrigues".

 

São João Puteiro

"Cuiabá sempre foi uma cidade festeira. Antigamente tinha 10 ou 12 bairros. A festa era conhecida ou pelo nome do santo, ou pelo nome de quem promovia a festa. Além de festas que até hoje acontecem, como do Senhor Divino e de São Benedito, tinha festas mais populares em Casa. No Baú, bairro tradicional de Cuiabá, tinha festa de São João Puteiro, que era realizado dentro de um cabaré. No meio do ano era sagrado. Todo mundo ia pra conhecer o lugar e saber como era realizada uma festa de santo naquele lugar. O povo ia primeiro na Prainha, lavava o santo e seguia em procissão até o cabaré. Mas esse é apenas um dos casos. O mais festeiro de Cuiabá acabou, que é o bairro do Terceiro. Lá tinha festa de santo, santo de carnaval e de macumba. Agora que a cidade toda se criou e cresceu, isso vai acabando".

 

Jejé de Oyá

"O Jejé é uma peça que sempre vai perdurar. Ele morreu, já criaram um bloco com nome dele, mas é uma pessoa que sempre estará no folclore. Sempre! A cidade vai caminhando, outras coisas vão aparecendo e ele corre o risco de cair no esquecimento, mas isso vai demorar... Por exemplo, ele estava em todas as festas da cidade. De aniversário, de carnaval, de tudo que era confraternização, mas de um tempo pra cá ele já estava doente e a festa ia acontecendo do mesmo jeito. Então é isso mesmo que eu disse, se com ele doente a festa aconteceu, imagina com ele morto? Vai acontecer e a figura do Jejé pode demorar para desaparecer, mas com o tempo ele vai caindo no esquecimento. Hoje em dia até o carnaval mudou. O cara liga o som do carro, bebe uma cerveja, pega uma mulher e já concluiu o carnaval".

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros