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Cidades Terça-feira, 26 de Maio de 2026, 17:59 - A | A

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Terça-feira, 26 de Maio de 2026, 17h:59 - A | A

ATLAS DA VIOLÊNCIA

Relatório aponta explosão da violência em MT contra mulheres e jovens

Levantamento do Ipea e FBSP mostra avanço de homicídios e violência sexual, revelando um cenário alarmante no estado.

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Mato Grosso aparece entre os estados com indicadores elevados de violência contra mulheres e crianças, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento mostra que o estado registra taxas superiores às médias nacionais em diferentes recortes relacionados à violência letal e sexual.

Entre os dados mais preocupantes está a taxa de homicídios de mulheres. Mato Grosso fechou 2024 com 98 homicídios, índice de 5,1 por 100 mil mulheres.

Quando o recorte é feito entre mulheres negras, Mato Grosso também aparece em situação crítica. O estado registrou taxa de 5,4 homicídios por 100 mil mulheres negras em 2024, uma das maiores do país, atrás apenas de estados como Ceará, Pernambuco, Espírito Santo e Roraima. Dos 98 homicídios de mulheres, 71 são de negras.

O Atlas também aponta crescimento da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Mato Grosso registrou taxa de 44,1 casos por 100 mil habitantes em um dos indicadores ligados à violência sexual infantojuvenil em 2024, aumento de 67,7% em comparação com 2019.

Outro dado preocupante envolve os homicídios de crianças e adolescentes. Mato Grosso encerrou 2024 com taxa de 57,2 homicídios por 100 mil jovens (536 ao todo, sendo 496 do sexo masculino), acima da média nacional e com crescimento de 41,9% em relação a 2019.

LEIA MAIS: Mato Grosso registra aumento de homicídios acima da média nacional, aponta estudo

O Atlas alerta para o crescimento da cultura misógina no ambiente virtual, especialmente entre adolescentes e jovens. Segundo os autores, movimentos ligados à chamada “machosfera” e à cultura “red pill” têm contribuído para a disseminação de discursos de inferiorização feminina, assédio e violência simbólica contra mulheres e meninas.

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