ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM IRENE DUARTE
Da Redação
CAMILA RIBEIRO
A professora em Alta Floresta (790 km de Cuiabá), Irene Duarte, destravou o processo de alfabetização e os alunos da Escola Benjamim de Pádua começaram a ler e escrever em até quatro meses. O tempo de aprendizagem foi encurtado por meio do método IntraAct, utilizado há 30 anos na Alemanha. Os resultados geraram uma onda de transformação em sala de aula, elevando os números da escola nas avaliações da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). Observando as melhorias, a pasta levou a iniciativa a outros municípios.
A minha busca sempre foi para identificar como alfabetizar bem uma criança
Irene está aposentada, mas continua envolvida em ações voltadas à educação. São 50 anos dedicados ao magistério, sendo 18 anos ao que ela chama de "chão de escola", trabalhando com a alfabetização em sala de aula.
"A minha busca sempre foi para identificar como alfabetizar bem uma criança", falou Irene sobre sua motivação.
O IntraAct foi apresentado a professora em 2020. O início da pandemia interferiu na implantação do método, adiando o começo do projeto que só entrou na sala de aula em 2021. Ela explicou que as aulas virtuais não atrapalharam o processo, mas comprovaram a assertividade do modelo pedagógico e engajou os pais.
O método funciona por meio da divisão das letras e sílabas em blocos. Conforme a criança evoluí, o desafio aumenta e o aprendizado acompanha o mesmo ritmo. Irene explicou que a diferença do IntraAct está no acompanhamento individual. A cada ciclo de 21 dias, os alunos são observados e aqueles com dificuldades recebem atenção especial. Mas nada de 'salinha de reforço'. No processo, os educadores acabam identificando as travas dos pequenos e, em alguns casos, até dores emocionais. É nesse momento que uma equipe multidisciplinar entra em cena.
Nós estamos em maio ainda e já temos muitas crianças que começaram a estudar em 2026 lendo com o IntraAct
"Ele foi construído para saber como o cérebro da criança aprende. A nosso Língua Portuguesa é fonética, tem uma sonoridade e pegaram as letras pela facilidade fonética. Assim, elas começam a escrever rapidamente", detalhou.
Com o seu projeto, Irene colocou Alta Floresta entre as ações bem-sucedidas de boas práticas do país e fez o IntraAct ultrapassar a fronteira de Mato Grosso. Os resultados chegaram ao conhecimento do governo de Santa Catarina que incorporou o método à cartilha de ensino da rede pública.
"Alta Floresta tem mais de 90% das crianças alfabetizadas. Saímos de 33% de crianças no 2º Ano que liam para 90%. Nós estamos em maio ainda e já temos muitas crianças que começaram a estudar em fevereiro lendo com o IntraAct", comemorou a educadora.
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