Mato Grosso está entre os estados com índices mais preocupantes de consumo de álcool no país e ocupa o segundo lugar entre maior índice de mortes no Centro-Oeste por complicações por consumo de álcool. Os dados são do relatório "Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025", publicado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) e acendem um alerta para a saúde pública.
Mato Grosso acompanha de perto o comportamento epidemiológico de sua região. Três dos quatro estados do Centro-Oeste concentram taxas muito semelhantes e elevadas, todas acima da marca de 37 mortes por 100 mil habitantes.
Os dados de 2023 publicados pelo relatório registram uma taxa expressiva de 37,6 mortes para cada 100 mil habitantes no estado. Esse índice coloca Mato Grosso em 2º lugar da região Centro-Oeste, ficando atrás apenas de Goiás, com 38,6, e em uma posição intermediária-alta no ranking nacional, empatado rigorosamente com a Paraíba na 11ª colocação geral.
O estado também chama a atenção no ambiente hospitalar, ocupando a 10ª posição nacional em 2024, com 203,9 internações a cada 100 mil habitantes e o 2º lugar na região Centro-Oeste, ficando atrás apenas do Mato Grosso do Sul.
Tanto em Mato Grosso quanto no restante do país, as principais causas de morte e internação direta são os transtornos por uso do álcool e a doença alcoólica do fígado, como a cirrose hepática. Já entre as causas parcialmente atribuíveis à substância, destacam-se os acidentes de trânsito, episódios de violência interpessoal, lesões não intencionais e quedas.
HOMENS SOFREM MAIS COM O ÁLCOOL
Quando os dados são destrinchados pelo perfil das vítimas, a desigualdade entre homens e mulheres é gritante. A população masculina é, de longe, a mais afetada pelo consumo problemático de álcool em todas as faixas etárias e indicadores.
O pico letal entre os homens ocorre na faixa dos 50 aos 59 anos, atingindo o alarmante número de 142,3 mortes por 100 mil habitantes. Para as mulheres, a faixa etária mais crítica é a mesma, mas a taxa máxima é de apenas 14,0 óbitos. Isso significa que, no momento mais grave para ambos, a mortalidade masculina é cerca de dez vezes superior à feminina.
Nas internações, o padrão de assimetria se repete. Os homens têm seu pico de hospitalizações entre os 40 e 49 anos com 574,8 internações por 100 mil habitantes. Enquanto isso, as mulheres atingem seu ápice entre os 50 e 59 anos, registrando apenas 73,0 internações, evidenciando como os pacientes do sexo masculino sobrecarregam o sistema de saúde de forma muito mais severa.
O impacto do álcool exige atenção redobrada quando olhamos para a população mais velha, especialmente acima dos 55 anos. Nessa fase da vida, a substância tende a agravar condições crônicas preexistentes e a comprometer a eficácia de tratamentos médicos. Políticas focadas na redução do consumo nocivo nesta faixa etária são consideradas urgentes para diminuir a mortalidade prematura e aliviar os leitos hospitalares.
Embora os gráficos históricos mostrem uma sutil melhora ao longo dos anos, o panorama geral deixa claro que o álcool permanece como um desafio crítico de saúde pública no Brasil, concentrando sua força destrutiva, principalmente, em homens adultos e maduros.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.








