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Cidades Terça-feira, 19 de Maio de 2026, 14:35 - A | A

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Terça-feira, 19 de Maio de 2026, 14h:35 - A | A

PROFESSORA EXPLICA

Mesmo com pleno emprego, Mato Grosso é 8º estado mais endividado do Brasil

Dados apontam estabilidade: estado passou três meses seguidos na mesma posição do ranking

ANNA GIULLIA MAGRO
DA REDAÇÃO

Mato Grosso ocupa a 8ª posição no ranking de endividamento do país pelo terceiro mês consecutivo. No cenário regional, o estado é o 3º mais inadimplente do Centro-Oeste desde o início do ano, atrás apenas do Distrito Federal e de Mato Grosso do Sul. Os dados são do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, divulgado mensalmente pela Serasa, e o levantamento apontou os culpados: cartão de crédito e contas básicas

Os números causam estranheza à primeira vista, já que Mato Grosso registra o segundo menor desemprego do Brasil, segundo o IBGE. De acordo com a PNAD Contínua divulgada na última quinta-feira (14), a taxa de desocupação no estado ficou em torno de 3% no primeiro trimestre de 2026, a metade da média brasileira, que fechou em pouco mais de 6%. No país, Mato Grosso só perde em emprego para Santa Catarina.

LEIA MAIS: Mato Grosso tem segundo menor desemprego do país

No entanto, o fato de o estado estar registrar baixa no desemprego e, ao mesmo tempo, alta do endividamento não significa que a economia local está parada. Na verdade, o ritmo com que os mato-grossenses limpam o nome é quase o mesmo com que novas pessoas ficam negativadas. É o fenômeno da "torneira aberta": o endividamento continua crescendo na mesma proporção em que as dívidas antigas são pagas.

O PESO DO CUSTO DE VIDA

A professora da Faculdade de Administração da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Leidimar Cândida dos Santos, explica o que está por trás desse cenário. Mestre em contabilidade e doutora em administração, ela pontua que, embora a renda da população tenha subido, ela ainda é engolida pelo alto custo de vida. Não por acaso, o índice de endividados em Mato Grosso (53,58%) supera a média nacional.

A realidade ganha força com o último levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT). O estudo mostrou que a cesta básica na capital atingiu um novo recorde, custando em média R$ 896,80, valor que mantém Cuiabá entre as cidades mais caras do país para se viver.

“A distribuição de renda segue desigual e ainda baixa em relação ao que os cidadãos precisam para sobreviver. Além disso, a alta dos juros agrava a situação. Uma vez sem dinheiro, a população recorre a empréstimos caros e fica presa a eles por muito tempo”, explica a professora. Ela aponta ainda a facilidade de acesso ao crédito como uma armadilha: “A população de baixa renda, sobretudo, vive refém do crédito consignado: dinheiro fácil, prazos longos e juros elevados", afirma.

A BOLA DE NEVE DOS JUROS NO CENÁRIO NACIONAL

A análise da especialista bate de frente com os indicadores macroeconômicos do país. Em nível nacional, a crise de crédito tem piorado não porque mais pessoas estão deixando de pagar, mas porque as dívidas antigas estão virando uma "bola de neve" devido aos juros altos.

Entre janeiro e abril de 2026, o indicador que mais cresceu no Brasil foi o Valor Total das Dívidas, com um salto de 8,40%. Em valores absolutos, o montante global devido pelos brasileiros subiu R$ 44 bilhões em apenas três meses, saindo de R$ 524 bilhões para R$ 568 bilhões.

Na esteira desse crescimento, a dívida média por pessoa avançou 5,60%, passando de R$ 6.453,29 para R$ 6.814,39. O valor de cada boleto atrasado subiu muito mais rápido do que a entrada de novos negativados no sistema, que cresceu 2,46%. Ou seja: o brasileiro não está fazendo mais dívidas, as dívidas atuais é que estão ficando muito mais caras.

REFLEXO EM MATO GROSSO

Para fins de comparação, o Brasil fechou o mês de abril com 83,3 milhões de inadimplentes, o que significa que metade da população adulta do país (50,81%) tem alguma restrição no CPF.

Ao registrar 53,58% de seus adultos negativados, Mato Grosso opera acima da média nacional e acompanha o ritmo de aperto financeiro do resto do país. O cenário local deixa claro que o pleno emprego e a força do agronegócio, embora fundamentais, ainda não são suficientes para blindar o orçamento das famílias contra a inflação e as armadilhas do crédito fácil.

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