Estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (ETECs) de Mato Grosso desenvolveram projetos para enfrentar problemas como queimadas, escassez de água, perdas na agricultura e impactos ambientais da construção civil. As pesquisas são apresentadas na 18ª Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), realizada entre quarta-feira (21) e esta sexta-feira (23), no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.
Entre os destaques estão um sistema que utiliza inteligência artificial para facilitar o acesso a informações sobre focos de queimadas, tecnologias de irrigação automatizada e pesquisas que propõem alternativas sustentáveis para o campo. Os trabalhos foram desenvolvidos por alunos de diferentes municípios, com orientação de professores das unidades de ensino.
A mostra integra a 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que neste ano tem como tema “Ciência Delas”, com destaque para a participação de meninas e mulheres na produção científica.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL CONTRA QUEIMADAS
Na ETEC de Cuiabá, os estudantes Gabriel Henrique de Souza e José Mateus de Souza desenvolveram o projeto Eco Guardiões Mato Grosso. A ferramenta utiliza inteligência artificial para facilitar consultas sobre focos de queimadas, reunindo dados públicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).
A proposta é permitir que a população encontre informações ambientais sem precisar interpretar planilhas técnicas. Segundo a descrição do projeto, o sistema também utiliza mecanismos para reduzir erros nas respostas geradas pela inteligência artificial.
Outra pesquisa da unidade, desenvolvida por Matheus Henrique Pedroso, propõe a criação de um corredor verde sustentável no ambiente escolar. O projeto prevê o reaproveitamento de água de aparelhos de ar-condicionado, garrafas PET e paletes para criar um espaço de convivência com vegetação.
TECNOLOGIA PARA ECONOMIZAR ÁGUA
Na ETEC de Cáceres, a estudante Ester Hadassa de Souza apresenta um sistema de captação inteligente de água da chuva voltado a pequenas propriedades rurais. Orientado pelos professores Verônica Silva de Albuquerque e Marcelo Henrique Siqueira, o projeto busca oferecer alternativas para famílias que enfrentam dificuldades de acesso à água.
“ A gente pensou nas pessoas que moram em sítios, em áreas rurais, que não têm acesso à água ou que enfrentam a falta dela”, explicou a estudante.
A conservação hídrica também é o foco da pesquisa Barraginhas na Agropecuária, de Nathaly Duarte Rodrigues, orientada por Verônica Silva de Albuquerque. O trabalho aborda estruturas para captar água das chuvas e enxurradas, favorecer a infiltração no solo e contribuir para a recarga dos lençóis freáticos.
Já na ETEC de Tangará da Serra, o projeto Agritec – Horta Inteligente Sustentável combina irrigação automatizada, monitoramento, energia solar e reaproveitamento da água de aparelhos de ar-condicionado.
Desenvolvido por Ana Caroline Dantas, Luanny Mariah da Silva e Vitor Gabriel Cabral, sob orientação do professor Luis Otávio Toledo, o trabalho busca aplicar conhecimentos técnicos em soluções práticas para a produção sustentável.
A unidade também apresenta uma estação meteorológica de baixo custo, desenvolvida por Diogo Gonçalves, Erick Gabriel dos Santos, Crislaine Andrade da Silva, Maria Eduarda Gomes e Wevelyn Carolayne da Silva. O equipamento utiliza sensores, plataforma Arduino e energia solar para monitorar temperatura, umidade do ar e precipitação, com o objetivo de ajudar agricultores familiares no planejamento da produção.
PESQUISAS BUSCAM REDUZIR IMPACTOS AMBIENTAIS
Na ETEC de Campo Verde, os estudantes apresentam pesquisas voltadas à agricultura e à construção civil. Um dos projetos investiga o aproveitamento de resíduos do algodão para produzir hidrogéis destinados à liberação controlada de nutrientes no solo.
Outro trabalho utiliza aprendizado de máquina para analisar dados e recomendar tipos de biocarvão conforme as características do solo. A pesquisa foi desenvolvida por Guilherme de Almeida, com orientação do professor Mário Rodrigo dos Santos.
A mostra também reúne um estudo sobre o uso de terra de diatomáceas no controle do bicudo-do-algodoeiro, desenvolvido por Kalléo José Faria de Jesus, e uma pesquisa sobre tijolos de solo-cimento que dispensam a queima, de Isac Lima Machado. Os dois projetos tiveram orientação da professora Manoela Lara Dias.
A proposta dos tijolos é oferecer uma alternativa construtiva com potencial para reduzir impactos ambientais associados à fabricação convencional desse material.
Os trabalhos apresentados na MECTI mostram como a educação profissional pode aproximar o ensino da pesquisa científica e da busca por soluções para desafios enfrentados em Mato Grosso. A edição deste ano também destaca a participação de estudantes e professoras na produção de conhecimento e tecnologia.
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