A estudante de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que acusa o professor Saulo Tarso Rodrigues de assédio e perseguição, revelou, com exclusividade ao HNT, que mesmo após a denúncia continua enfrentando consequências que ultrapassam a sala de aula. A jovem destacou que chegou a fingir ter abandonado o curso na tentativa de interromper as investidas do docente, mas agora convive com ataques virtuais, exposição de dados pessoais e acusações que já foram descartadas pela própria universidade.
Segundo a estudante, a estratégia surgiu após perceber que bloquear o professor nas redes sociais e aplicativos de mensagens não era suficiente para impedir os contatos. Ela relata que o docente passou a procurar informações sobre sua rotina por meio de colegas e chegou a enviar mensagens por SMS afirmando estar apaixonado.
Com a ajuda de amigos, a universitária decidiu espalhar a informação de que havia trancado a matrícula, na expectativa de que ele deixasse de procurá-la.
“Teve um print que soltaram mostrando eu falando para o Saulo que tinha trancado o curso, mas aquilo era uma mentira para ver se ele me deixava em paz. Eu e meus colegas falávamos isso justamente para ele parar de me procurar”, contou.
Para evitar o contato entre a estudante e o professor, a universidade criou uma turma especial de Antropologia aos sábados, ministrada por uma professora substituta. A caloura chegou a cogitar o regime de estudo domiciliar, mas decidiu permanecer frequentando a universidade.
“Eu desisti de fazer estudo domiciliar porque eu acho que ele estaria ganhando. Eu estaria desistindo de uma situação que eu sempre quis estudar por causa de um cara desse”, explicou.
A vítima relata, no entanto, que a rotina continua marcada pelo medo e pela exposição. Mesmo com uma medida cautelar que impede qualquer contato do professor com ela, a jovem diz que passou a ser alvo de ataques em redes sociais e grupos virtuais.
Perfis falsos têm divulgado seu nome e a acusado de supostas irregularidades relacionadas ao sistema de cotas e à manutenção de dupla matrícula. As denúncias, segundo ela, já foram analisadas e arquivadas pela UFMT por falta de fundamento.
“Eu sinceramente não me sinto segura. Na verdade, nem queria voltar. Tem vários comentários de perfis falsos citando meu nome e dizendo que eu fraudei cotas”, relatou.
Enquanto aguarda o andamento das medidas judiciais e administrativas relacionadas ao caso, a estudante afirma que sua principal motivação para continuar frequentando a universidade é não permitir que o medo ou a intimidação determinem seu futuro acadêmico.
No âmbito administrativo, a defesa da estudante aguarda a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pela UFMT. Segundo o advogado Yuri Machado, por se tratar de um servidor público estável, uma eventual punição depende da conclusão do procedimento, que poderá resultar na demissão do docente caso sejam comprovadas infrações disciplinares.
CAMINHOS PARA A DENÚNCIA
Em casos de assédio, violência de gênero ou importunação sexual, denuncie. Além das instâncias internas das instituições, como Ouvidorias e diretorias de faculdade, que podem oferecer acolhimento e orientação, também é possível recorrer aos canais públicos de atendimento.
Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190. Para orientações sobre direitos e acesso à rede de proteção, a Central de Atendimento à Mulher atende pelo telefone 180. Além disso, é possível registrar o Boletim de Ocorrência (BO) de forma online através do site oficial da Polícia Civil, CLICANDO AQUI.
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