A insegurança alimentar grave está presente nos lares de 34.308 mil famílias em Cuiabá, em ao menos em algum momento, durante o ano de 2022. Somente em Cuiabá, 30% da população está em situação de extrema pobreza, o equivalente as 34.308 famílias, de acordo com dados do Cadastro Único (CAD). Atualmente, são 115.686 famílias cuiabanas inscritas no sistema.
De acordo com o governo federal, 2,1% da população mato-grossense vive com renda no valor de R$ 89 e outras 1,2% recebem no máximo R$ 178 por mês. Esses dados são de acordo com o número de famílias inscritas no CAD Único. Em Mato Grosso, atualmente, 663.388 famílias estão inscritas no sistema. Deste número, 200.114 se encaixam em situação de extrema pobreza e outras 167.773 estão na opção de baixa renda.
Para o governo federal, no CAD Único são considerados extremamente pobres aqueles que têm renda per capita menor ou igual a R$ 89 e considerados pobres aqueles com renda per capita de R$ 89,01 a R$ 178. Segundo o Observatório da Criança e do Adolescente, 4,2% de crianças de até 5 anos estão na condição de desnutrição no Brasil, sendo de baixo peso ou muito baixo peso para a idade. Em Mato Grosso, cerca de 4,8% de crianças se encontram na mesma condição citada.
Um dos fatores para o aumento da insegurança alimentar na Capital foi a pandemia da covid-19, que causou graves estragos na economia do Brasil, afetando todas as cidades. Inclusive o Brasil é o país mais afetado pela covid-19 na América Latina. E, mesmo após a pandemia, dos 68,9 milhões de domicílios no país, 36,7% ficaram em algum nível de insegurança alimentar, o que corresponde a 84,9 milhões de pessoas, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF): Análise de Segurança Alimentar no Brasil.
Para a professora do Programa de Pós-Graduação em Economia (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Aniela Carrara, mesmo passado dois anos de pandemia, Mato Grosso não recuperou totalmente a economia e a insegurança alimentar ainda é muito preocupante. Segundo ela, uma pesquisa feita pela rede Penssan e divulgada em setembro mostra que, no Estado, 31,1% da população mato-grossense sofre de insegurança alimentar leve, o que se refere à queda na qualidade dos alimentos consumidos, além da preocupação ao acesso à alimentação no futuro.
Outros 14,4% têm insegurança alimentar moderada, quando há restrição à quantidade de alimento consumido. Por fim, 17,7% passa por insegurança alimentar grave, quando há escassez de alimentação, podendo chegar a condição de fome.
"Logo, mais da metade da população do Estado passa por algum tipo de insegurança alimentar em 2022. E como Cuiabá tem a maior densidade demográfica do Estado, tais números refletem também a situação da capital do estado. Esta é uma situação muito preocupante, uma vez que a insegurança alimentar pode gerar impactos de longo prazo na vida da população, como dificuldades de aprendizagem e problemas gerais de saúde", complementou a professora.
Uma das soluções que o governo federal encontrou foi criar o programa Auxílio Emergencial em 2020 para ajudar as famílias a enfrentarem a covid-19. Com o valor, parte da população conseguiu, ao menos, ter uma refeição por dia e, assim, conteve o aumento desenfreado da pobreza naquele ano.
A situação traz à tona o fato que, no último ano, tornou Cuiabá internacionalmente conhecida - a "fila do ossinho" - após um açougue distribuir restos de carne no bairro CPA II, na capital. O cenário de centenas de pessoas na porta do estabelecimento à espera de doações de ossinho com resquícios de carne comoveu o Brasil e levantou vários questionamentos.
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A professora destaca que o processo inflacionário pelo qual o Brasil passa desde 2021 tem penalizado muito mais a população de renda baixa. No entanto, segundo ela, sabe-se que a população mais pobre gasta grande parte da sua renda para se alimentar, pagar aluguel e se locomover. E, a partir do momento que os preços dos alimentos, do aluguel e dos combustíveis sobem, essas pessoas perdem muito o seu poder de compra, ou seja, consequentemente, com o mesmo salário, já não conseguem comprar a mesma quantidade de alimentos, por exemplo.
"Mesmo com a recente redução no nível geral de preços que constatamos nos últimos meses, por conta das medidas que reduziram o ICMS e os impostos federais sobre os combustíveis, os preços dos alimentos ainda resistem em patamares elevados, o que continua impactando principalmente no orçamento dos mais pobres e contribuindo com o cenário de insegurança alimentar que temos", finalizou.
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Ricardo Antonio de Lima 31/10/2022
Acredito que a grande maioria das pessoas que ontem vestiram amarelo, colocaram bandeiras em seus veiculos nao sabem nem conhecem essas pessoas, eu entendo que isso é muito grave, principalmente quando vemos as autoriadades governamentais falam tanto em crescimento mas nao olham os necessitados.
1 comentários