Uma missão internacional liderada pela Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Nativos e Subprodutos Animais (CFNA) realiza visitas técnicas em Mato Grosso até o dia 6 de maio. O foco da comitiva é a carne bovina, a sustentabilidade da produção e a ampliação das relações comerciais com o país asiático, que atualmente é destino de metade da produção de grãos e proteína animal do Estado.
O primeiro compromisso ocorreu na segunda-feira (4), no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, em reunião com o governador Otaviano Pivetta, secretários estaduais e representantes do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que intermediou e é anfitrião da missão. A delegação é composta por técnicos da CFNA e cerca de 20 empresários asiáticos que atuam na importação, logística e distribuição de proteína animal no mercado chinês.
Segundo a organização, a visita tem caráter técnico e estratégico. Mato Grosso foi escolhido como vitrine para a apresentação da capacidade produtiva aliada à sustentabilidade comprovada e rastreabilidade completa — da origem do animal até o destino final.
A delegação avalia in loco o modelo de produção de carne sustentável e como esse sistema pode atender às novas exigências do mercado chinês, que tem demonstrado atenção crescente a critérios ambientais, sanitários e de transparência na cadeia produtiva.
“A visita ao Brasil está diretamente ligada ao avanço da carne com sustentabilidade. Mato Grosso já é reconhecido como uma das regiões mais avançadas do país nesse tema, e viemos entender como esse modelo funciona na prática, desde a fazenda até a chegada do produto ao mercado chinês”, afirmou a vice-presidente da CFNA, Yu Lu.
Além da carne bovina, a missão também observa a capacidade produtiva do Estado em outras commodities e avalia oportunidades de diversificação da pauta exportadora. Segundo a CFNA, o movimento acompanha uma estratégia mais ampla da China de garantir segurança alimentar com múltiplos fornecedores e cadeias mais previsíveis.
“Não estamos olhando apenas para a carne bovina. Mato Grosso tem força também em soja, milho e outros produtos, e isso amplia o interesse da China na região”, completou Yu Lu.
COTA PARA EXPORTAÇÃO
Outro ponto tratado na reunião foi a cota de exportação de carne para a China, que já apresenta alto nível de utilização nos primeiros meses do ano. A cota anual do Brasil é de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina. De janeiro a março, o país utilizou 46% do volume total. Apenas Mato Grosso exportou à China, no ano passado, 978,4 mil toneladas.
A avaliação da delegação chinesa é de continuidade nas compras, com possibilidade de ajustes futuros no modelo. Yu Lu explicou que existe um mecanismo de controle de volume, mas também há espaço para estudos que permitam ampliar o mercado nos próximos anos.
Pelo lado do Governo de Mato Grosso, a estratégia é consolidar a imagem de fornecedor confiável em um mercado cada vez mais exigente. “Mato Grosso não quer ser apenas um grande produtor. Queremos ser reconhecidos pela qualidade, pela sustentabilidade e pela rastreabilidade da nossa produção. É isso que garante acesso a mercado e competitividade no longo prazo”, afirmou o governador Otaviano Pivetta.
A avaliação do governo estadual é de que a agenda representa uma mudança de patamar na relação comercial com a China, especialmente pela presença direta da CFNA, que atua como elo entre o governo chinês e o setor produtivo e tem influência sobre regras de acesso ao mercado.
“Essa agenda mostra que Mato Grosso está sendo observado não só pelo volume que produz, mas pela forma como produz. A rastreabilidade e as boas práticas comerciais são diferenciais que colocam o Estado em outro nível nas negociações internacionais”, afirmou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman.
A estratégia também inclui agregar valor à produção local e ampliar a participação do Estado em etapas mais qualificadas da cadeia, como industrialização e atração de investimentos estrangeiros.
“Mato Grosso já é essencial para a segurança alimentar chinesa porque entrega escala, regularidade e segurança. O próximo passo é avançar em valor agregado, industrialização e integração dessa cadeia com o mercado chinês”, destacou o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho.
GANHOS PARA A CADEIA PRODUTIVA
Entre os avanços discutidos, está a possibilidade de ampliar a pauta exportadora com a inclusão de miúdos bovinos (fígado, rins, língua, coração, entre outros), que ainda não fazem parte da cota padrão chinesa, hoje concentrada na carcaça bovina. Segundo representantes do governo estadual, a medida pode representar ganho imediato de valor para a cadeia produtiva.
A agenda da missão segue nos próximos dias com visitas técnicas a frigoríficos e associações do setor nesta terça-feira (5), além de um workshop técnico no dia 6 de maio, organizado pelo Imac, para aprofundar discussões sobre sustentabilidade, rastreabilidade e oportunidades comerciais.
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