A tentativa de assalto que resultou em duas mortes em uma casa de cambio, localizado em uma área nobre no centro de Cuiabá, completa um ano nesta terça-feira (24). O caso ainda não foi concluído, e um cabo da Polícia Militar, responsável pelos dois homicídios, ainda não tem data para ser julgado.
O militar Leandro de Souza Almeida, segundo o inquérito da Polícia Judiciária Civil, à época conduzido pelo delegado Walfrido Frankilin, disparou pelo menos nove tiros, matando na hora seu companheiro de farda, Danilo Cesar, 27 anos. O policial foi atingido na região do tórax, ele chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá.
Além de Danilo, um dos tiros atingiu a funcionária da casa de cambio, Karina Fernandes Gomes, 19 anos. Ela levou um tiro na cabeça e morreu em cima do balcão de atendimento.
Leandro também acertou dois tiros, sendo um de raspão, em Edilson Pedroso da Silva, pivô de toda a situação que resultou em uma das tragédias mais comentadas de 2014. Ele teria entrado no local para efetuar um assalto, porém não contava que dois policiais estivessem dentro do estabelecimento.
Quase seis meses depois do crime, a juíza Maria Rosi de Meira Borba, da 8ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou o bandido a 13 anos de prisão, em regime fechado. Atualmente ele está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), no bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá.
A AÇÃO
À época do caso o delegado Walfrido narrou a ação do assaltante.“Ele entrou, foi até um dos balcões para perguntar onde faria um empréstimo, mas confundiu a farda da PM com a de um segurança e acabou puxando a arma. Dentro da casa de3 cambio ele não deu nenhum tiro, mas foi surpreendido pelos tiros e acabou correndo. Nisso, o PM Danilo foi atingido e morto e a secretária Karina também”, lembrou o delegado, que atuava na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP).
A DESCULPA
No dia da audiência de instrução, Edilson lembrou que foi influenciado a cometer o assalto porque estava desempregado e sua esposa gestante.
“Eu não tinha emprego e um amigo me convidou para que eu fizesse uma "fita" [assalto] com ele. Fomos até a casa de câmbio, porque lá era um lugar de dinheiro. Achei que era lotérica e também pensei que os policiais eram vigias. Eu não disparei nenhuma vez e não fui lá pra matar ninguém”, disse o condenado no dia do julgamento.
AFASTADO
Já o PM Leandro de Souza nega a afirmação de Edilson. “Eu só atirei porque ele atirou primeiro e correu. Infelizmente acertei duas pessoas inocentes”, comentou.
Atualmente, Leandro está afastado dos serviços de rua e cumpre sua carga horária realizando trabalhos administrativos no Comando Geral da PM.
Por enquanto o seu julgamento não foi marcado, e apenas após condenado que a Corregedoria pode tomar providências quanto seu afastamento ou expulsão.
Procurada pela reportagem, as famílias das vítimas, Karina e Danilo, preferiram não relembrar o crime, ocorrido em frente à Praça Santos Dumont.
SAUDADES
Na rede social, Facebook, a jornalista Dantielle Venturini publicou uma mensagem homenageando a irmã, morta no crime. Ela relata que a vida segue, porém despedaçada e sangrando. Veja trecho da mensagem:
"A dor nos acompanha pelo resto de nossas vidas. E sim... a vida segue... despedaçada... sangrando... sem sentido... Mas segue... Mas isso não quer dizer que seguimos com a vida. Quando penso que esse é só o primeiro ano... É a saudade e o desespero ja é incontrolável, penso como será os próximos. As pessoas dizem vc tem q ser forte e tem muita coisa boa ainda pra acontecer... realmente essas pessoas não sabem o que é perder o sentido da vida", diz trecho da publicação.
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