Segunda-feira, 13 de Abril de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Cidades Segunda-feira, 08 de Junho de 2015, 17:27 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Segunda-feira, 08 de Junho de 2015, 17h:27 - A | A

SISTEMA CARCERÁRIO

Colônia Penal passa por reestruturação para voltar a ser referência nacional

DA ASSESSORIA

Condenado por sequestro, Gelson Ferreira dos Santos ficou preso quatro anos em regime fechado até ser transferido para a Colônia Penal Agrícola das Palmeiras, em 2006. Ao chegar ao local, chorou e agradeceu a Deus por estar ali. Ele sabia que era uma nova chance que estava ganhando. Foi o cumprimento da pena naquela unidade prisional que permitiu sua volta ao convívio em sociedade. A Colônia Penal, que já foi referência no país, atualmente abriga apenas cinco reeducandos em regime de semiliberdade e deve passar por uma reestruturação para voltar a receber e qualificar recuperandos em Mato Grosso.

 

“Talvez se não tivesse tido essa oportunidade estaria morto. Mas hoje posso andar livremente de um lado para outro sem medo”. Na Colônia, além de aprender a preparar queijo e doce, que hoje garante o sustento da família, ele voltou a estudar e completou o 1º grau.

 

Gelson se desloca aproximadamente 100 km toda sexta-feira da Agrovila das Palmeiras até Cuiabá para a entrega de 200 queijos e 150 potes de doce de leite. Uma capacitação feita no Sebrae, intermediada pelo sistema prisional, o permitiu aumentar os negócios e conquistar uma vida confortável, com carro e duas casas, uma na Agrovila e outra em Cuiabá. Apesar da importância dos bens materiais, o que ele mais se orgulha é da educação que deu aos filhos e de ver a filha terminando o curso de enfermagem. Após seis anos, o ex-reeducando mantém um forte laço com a colônia agrícola e toda quarta-feira comanda os cultos dentro da unidade como presbítero da Assembleia de Deus.

 

A Colônia Penal localizada na região de Santo Antônio de Leverger começou a funcionar em 1939, quando passou do comando dos jesuítas, que tinham construindo ali um seminário e um orfanato, para o Estado. Hoje chamada de Centro de Ressocialização Agrícola Palmeiras, a fazenda de 650 hectares, cortada pelo rio Cupim, com natureza exuberante e terra fértil, é de uma beleza ímpar. A propriedade é formada por relíquias que contam a história e o desenvolvimento da região, como o casarão da década de 1880 que foi construído ainda com mão de obra escrava e hoje acomoda o refeitório e escritório dos agentes prisionais que ali trabalham.

 

Os moradores da Agrovila das Palmeiras e outras comunidades vizinhas tiveram durante décadas um bom relacionamento com os reeducandos da Colônia Penal Agrícola. A sociedade frequentava a unidade prisional nos finais de semana para jogar futebol e assistir às missas na bela igreja de quase 100 anos localizada dentro da propriedade.

 

Campeonatos de futebol envolvendo toda a região eram organizados no local e as pessoas podiam andar tranquilamente pelas praças iluminadas da unidade. “O contato com a sociedade fazia parte da ressocialização”, lembra o agente penitenciário Aroldo Benvindo Ferreira, que trabalha desde 1997 no Centro Agrícola.

 

Nascido na região, o agente de 41 anos ia todos os domingos à unidade, na qual o pai dele trabalhava, para jogar bola com os reeducandos e se lembra com saudade das festas religiosas que chegavam a durar três dias. Também se recorda da época em que a produção era intensa, com carregamentos que chegavam à Agrovila, vindos da Colônia Agrícola, carregados de verduras e frutas que não tinham medida para serem comercializadas nas feiras e eram entregues às famílias carentes da comunidade.

 

Outro que tem boas histórias para contar é o servidor estadual Luiz Martins, que trabalhou por quase 20 anos na Colônia Penal Agrícola. Mesmo aposentado de forma compulsória, continua morando dentro da propriedade, onde ajuda como voluntário e se mantém com uma pequena lavoura e criação de frango. Nascido na região, Luiz foi testemunha de toda a história do desenvolvimento da unidade, que frequenta desde criança. “Isso aqui era só lavoura, tinha plantação de tudo. Saía caminhão pelo menos três vezes por semana para feiras de Cuiabá. Todos tinham um convívio pacífico, se respeitavam. Nunca tive problema com os presos”, relembra.

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros