O prefeito Abílio Brunini (PL) apresentou o Plano Diretor Municipal para Cuiabá, principal instrumento legal para planejamento urbano e orientação do crescimento e desenvolvimento da cidade. A ação ocorreu na tarde de quinta-feira (9). Uma das medidas que chama a atenção são as medidas sobre ampliação do perímetro urbano.
Segundo o prefeito, a proposta do novo Plano Diretor de Cuiabá marca uma ruptura estratégica com o modelo de 2007, substituindo o antigo "congelamento" total do perímetro urbano por uma política de expansão controlada e modernização administrativa.
Enquanto a lei anterior tentava reduzir custos públicos e forçar a concentração no centro da cidade, os indicadores de 2025 revelaram que a medida gerou uma escassez artificial, ou seja, a falsa ideia de que há poucos imóveis para muita gente, inflacionando aluguéis e dificultando o acesso à casa própria para a classe trabalhadora.
O novo texto busca corrigir estas distorções ao liberar novas áreas para baixar o preço de imóveis e fomentar habitações de interesse social, mantendo restrições apenas em zonas de conflito fundiário para garantir segurança jurídica e combater a especulação em áreas irregulares.
Essa decisão marca o encerramento de um ciclo iniciado em 2007. Naquela época, a Lei Complementar nº 150 sancionou o "congelamento" do perímetro por 10 anos sob a justificativa de otimizar a infraestrutura e reduzir custos públicos, evitando que a prefeitura tivesse que levar serviços para áreas distantes enquanto o centro ainda possuía vazios.
A ação também impedia, de certa maneira, a especulação imobiliária, prática de comprar terrenos ou imóveis e aguardar a valorização deles com o tempo para vender mais caro, gerando uma manipulação nos preços dos imóveis e criando a ilusão de escassez. Proibir a expansão do perímetro urbano evitaria que áreas rurais fossem transformadas em empreendimentos sem a demanda para moradia.
No entanto, quase duas décadas depois, é possível dizer que o tiro saiu pela culatra. A restrição territorial não impediu a valorização desenfreada; pelo contrário, serviu de combustível para ela. Embora Cuiabá tenha registrado um faturamento recorde de R$ 5,7 bilhões em 2025, segundo o Secovi-MT, os números escondem uma realidade amarga: o ticket médio caiu 9,16%, sinalizando que a população paga mais caro por espaços cada vez menores.
A "ilusão de escassez" tornou-se uma barreira real. Ao tentar frear o crescimento limitando o mapa, a cidade sufocou a oferta. O resultado foi uma capital onde o aluguel subiu 14,61% em 2025 — o dobro da média nacional, segundo o índice FipeZAP.
Diferente do plano anterior, que apostava na proibição geográfica total, o Plano Diretor de 2026 adota uma estratégia de precisão. O documento prevê o "congelamento da expansão urbana apenas em áreas com conflitos fundiários até que haja resolução judicial", visando garantir a segurança jurídica sem travar o mercado formal.
Somada à modernização administrativa para agilizar alvarás, a nova diretriz tenta desfazer o cenário de escassez artificial que castiga o bolso de quem ganha menos. Enquanto o plano de 2007 parou a cidade "para fora", o de 2026 tenta impedir que ela continue encarecendo "por dentro", buscando reintegrar trabalhadores que hoje se desdobram em dois empregos para custear moradias que se tornaram artigos de luxo em bairros consolidados.
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