O ciúme foi apontado como uma das principais circunstâncias associadas aos episódios mais graves de violência contra mulheres em Mato Grosso. Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 59% das vítimas disseram que o agressor estava com ciúmes no momento da violência. Em 52% dos casos, o homem estava inconformado com o fim ou a tentativa de encerramento do relacionamento.
O levantamento também mostra que o agressor, na maioria das vezes, faz parte do círculo mais próximo da vítima. Em 59% dos casos, era o marido ou companheiro da mulher no momento da agressão. Mesmo depois dos episódios de violência, 10% das vítimas continuavam convivendo com o agressor. Dentro desse grupo, 79% ainda moravam com ele.
Em outros 43% dos casos mais graves, as mulheres afirmaram que o agressor estava bêbado.
Os efeitos da violência também ultrapassam o momento da agressão. Entre as mulheres que decidiram terminar o relacionamento, 82% disseram que a violência teve muita influência na decisão. Para 72% das vítimas, os episódios afetaram a rotina diária. Outros 68% relataram impactos no convívio com outras pessoas, enquanto 45% disseram que os estudos foram prejudicados e 43% apontaram consequências na vida profissional ou no trabalho remunerado.
Para a diretora executiva da Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, os dados mostram que a violência produz efeitos prolongados na vida das vítimas.
“Ela reorganiza a rotina, afeta relações, trabalho, renda e as possibilidades que uma mulher tem de tomar decisões sobre a própria vida”, destaca.
O levantamento também identificou uma lacuna no conhecimento das mulheres sobre os mecanismos disponíveis para buscar proteção. Embora 97% das mato-grossenses conheçam ou já tenham ouvido falar da Defensoria Pública e 93% conheçam a Delegacia da Mulher, o conhecimento específico sobre a Lei Maria da Penha e as medidas protetivas é menor.
Em Mato Grosso, 70% afirmam conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 8% dizem não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 69% afirmam conhecer pouco o instrumento e 15% dizem não conhecê-lo. Somados, os dois grupos representam 84% das entrevistadas.
Entre os serviços de proteção, a Defensoria Pública é o mais conhecido, com 97%, seguida pela Delegacia da Mulher, com 93%; pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), com 85%; e pelo Ligue 180, conhecido por 79%.
A violência também aparece próxima da realidade das entrevistadas. Sete em cada dez mulheres de Mato Grosso, ou 73%, disseram conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar.
Para 82% das mato-grossenses, a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou nos 12 meses anteriores à pesquisa. Além disso, 69% consideram o Brasil um país “muito machista”.
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o Brasil, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. O levantamento tem nível de confiança de 95%.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.










