A infecção, definida pelas autoridades indianas como "altamente fatal, mas de propagação limitada", integra a lista de prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu potencial de causar uma emergência de saúde pública. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%.
O Ministério da Saúde indiano afirmou que "ações coordenadas imediatas foram iniciadas; apoio laboratorial, vigilância reforçada, gestão de casos, medidas de controle de infecção e orientação especializada foram mobilizados".
Como é transmitido o vírus Nipah?
O vírus Nipah é transmitido aos seres humanos por animais, por alimentos contaminados ou diretamente de pessoa por pessoa, por meio de contato próximo e fluidos corporais ou gotículas respiratórias, especialmente em moradores da mesma residência e em hospitais e unidades de saúde.
Os hospedeiros naturais são morcegos da família Pteropodidae, embora outros animais, como porcos e cavalos, também possam ser infectados. Além do contato com animais infectados e seus fluidos, um dos principais riscos para a transmissão da doença para humanos se dá pelo consumo de frutas e sucos contaminados com urina ou saliva dos morcegos infectados, já que as espécies hospedeiras são frugívoras.
Quais os sintomas do vírus Nipah?
O Nipah pode causar desde infecções assintomáticas (subclínicas) até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal.
Entre os principais sintomas estão: febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dificuldade respiratória e vômitos. A infecção pode evoluir para encefalite com sonolência, confusão, convulsões e coma em um intervalo de 24 a 48 horas.
O vírus também pode causar doenças graves em animais, como porcos, resultando em perdas econômicas significativas.
Como a doença é tratada?
Não existem, até momento, vacinas, medicamentos ou tratamentos licenciados para a infecção pelo vírus Nipah. As pessoas devem seguir as normas de higiene das mãos, evitar contato com morcegos ou porcos doentes e seus abrigos, e evitar seiva crua de palmeiras e frutas potencialmente contaminadas.
"Uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde é para higienizar e checar as frutas, (verificar) se tem algum sinal de mordida de morcego e retirar a casca", diz Kamilla Moraes, infectologista da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita.
"O tratamento é só suporte para quem adquire o vírus. Não tem nenhuma medida preventiva farmacológica", acrescenta a infectologista.
Muitos pacientes se recuperam totalmente, mas aproximadamente 20% ficam com sequelas neurológicas, como transtorno convulsivo e alterações de personalidade. Um pequeno número de pacientes sofre recaídas ou desenvolve encefalite de início tardio.
Qual o histórico de casos no mundo?
A doença já provocou surtos em diversos países asiáticos ao longo dos anos e foi alvo de medidas de contenção na Índia. Em 2024, um adolescente de 14 anos faleceu após contrair a doença.
Durante o primeiro surto reconhecido na Malásia, que também afetou Singapura, a maioria das infecções humanas resultou do contato direto com porcos doentes ou seus tecidos contaminados. Acredita-se que a transmissão tenha ocorrido por meio da exposição desprotegida às secreções dos porcos ou ao tecido de um animal doente, segundo informações da OMS.
Em surtos subsequentes em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas ou produtos derivados de frutas contaminados com urina ou saliva de morcegos frugívoros infectados foi a fonte mais provável de infecção.
A transmissão do vírus Nipah entre seres humanos também foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes infectados.
É possível que o vírus chegue ao Brasil?
Segundo Kamilla, existe uma preocupação em relação a surtos e disseminação mundial de infecções por conta da globalização, mas, no Brasil, não houve nenhum caso registrado de infecção pelo vírus.
Para ela, o momento é de atenção às medidas que serão tomadas pelas autoridades sanitárias, mas não há motivo para alarme. "No Brasil, não há nenhum alerta, mas é um momento de atenção."
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.




