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ALERTA GLOBAL

Surto de ebola registra 71 novos casos em um dia e CDC alerta para risco de epidemia histórica

Doença já soma 452 casos confirmados e 82 mortes no Congo; projeções indicam possibilidade de mais de 20 mil infectados em três meses

CONTEÚDO O GLOBO

O surto de ebola na República Democrática do Congo registrou 71 novos casos confirmados e 21 mortes em apenas um dia, elevando o alerta internacional. Diante do avanço da doença, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) afirmaram que a epidemia pode se tornar uma das maiores já registradas caso as medidas de contenção não sejam ampliadas rapidamente.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo, o número de casos confirmados chegou a 452, enquanto o total de mortes entre pacientes diagnosticados alcançou 82. O crescimento acelerado dos registros ocorre à medida que as autoridades ampliam a capacidade de testagem em Mongbwalu, cidade mineradora considerada o epicentro do surto.

Pesquisadores do CDC avaliam que a principal preocupação não está em uma maior capacidade de transmissão do vírus, mas no fato de a epidemia já estar amplamente disseminada quando foi identificada pelas autoridades sanitárias. A análise aponta que a circulação da doença pode ter começado entre o fim de janeiro e meados de fevereiro, semanas antes da detecção oficial.

O surto já atingiu mais de duas dezenas de zonas de saúde em três províncias do leste congolês e ultrapassou as fronteiras do país. Em Uganda, o número de casos confirmados subiu para 19 após a confirmação de três novas infecções.

As dificuldades para conter a disseminação são agravadas por conflitos armados, deslocamentos populacionais, fronteiras de fácil circulação e limitações dos sistemas de saúde da região. Esses fatores dificultam o rastreamento de contatos e a identificação rápida de novos casos.

Um estudo divulgado pelo CDC projeta cenários preocupantes. Caso apenas 20% dos infectados sejam identificados e isolados rapidamente, existe 65% de probabilidade de o surto ultrapassar 20 mil casos em três meses. Por outro lado, se cerca de 70% dos pacientes forem isolados de forma eficiente, as chances de uma epidemia em larga escala caem significativamente.

As autoridades de saúde informaram que aproximadamente 4.800 pessoas que tiveram contato com infectados estão sob monitoramento. Além disso, a instalação de um novo laboratório em Mongbwalu reduziu o tempo de resposta para confirmação dos casos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças lançaram um plano conjunto para ampliar a resposta à crise sanitária. A iniciativa busca captar US$ 319 milhões até novembro para fortalecer o combate ao vírus nos países afetados e ampliar a preparação das nações vizinhas.

Os esforços de contenção também enfrentam desafios de segurança. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho denunciou um ataque contra voluntários que participavam de uma operação de sepultamento seguro na cidade de Bunia. Segundo a entidade, vários socorristas ficaram feridos.

Outro fator que preocupa especialistas é a ausência de vacinas licenciadas e tratamentos aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo, variante responsável pelo atual surto. Embora pesquisas estejam em andamento, ainda não há imunizantes ou terapias oficialmente disponíveis para combater essa cepa.

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