Uma das suspeitas é que parte dos recursos tenha sido usada para bancar a peça cinematográfica que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Assim como a Go7 e o ICB, a produtora do filme, GoUp Entertainment, e a representante das empresas, Karina Gama, foram alvos de busca e apreensão. Ao todo, 49 mandados foram expedidos. O deputado federal Mário Frias (PL) está entre os alvos. O Estadão buscou as defesas de Karina e Frias, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
A PF citou emendas de R$ 2 milhões enviadas por Frias ao ICB e o contrato de R$ 108 milhões celebrado entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos de Wi-fi na periferia da capital.
A transferência de R$ 1 milhão feita pelo ICB à Go7 aconteceu em transferência única, em data não especificada entre 1º de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026. A empresa, criada por Karina Gama em 2005, não aparece formalmente como produtora de Dark Horse no registro junto à Ancine, mas é citada no folder de apresentação do filme como parte da "joint venture" que deu origem à GoUp Entertainment.
"A união da expertise da empresa brasileira GO7, assessoria, produção e marketing cultural com a empresa americana Uptone Picture, ambas com 20 anos de experiência multimercado, que formaram uma joint venture sediada na cidade de Miami", afirma o documento ao qual o Estadão teve acesso.
A Go7 já esteve registrada na Ancine e, segundo Karina Gama, já foi utilizada para protocolar pedido de registro de um projeto de documentário intitulado "Atletas de Cristo", que não saiu do papel.
A decisão de Flávio Dino cita ainda que o ICB fez pagamentos a duas editoras ligadas a uma terceira empresa que repassou valores à produtora Go Up. Segundo a investigação, o ICB enviou R$ 700 mil para a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional. Enquanto isso, a NTT Brasil, vinculada ao mesmo grupo empresarial, enviou R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
A polícia afirma que os elementos apurados ainda não comprovam a origem direta entre os recursos públicos recebidos pelo ICB e os repasses indiretos à produtora, mas diz que a proximidade temporal mostra relevância nas operações financeiras.
"A Go Up Entertainment, por sua vez, movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que recebeu recursos de diversos remetentes, dentre eles a NTT Brasil (R$ 750 mil) e o próprio Deputado Federal Mário Frias (R$ 645,4 mil), sendo que as filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, coincidindo temporalmente com as movimentações financeiras analisadas", afirma a PF.
(Com Agência Estado)
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