À época, o episódio gerou comoção entre os moradores da região. O caso foi investigado pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, sob segredo de Justiça, e também dentro da própria PM, por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).
De acordo com as investigações, os policiais militares apuravam uma denúncia de tráfico de drogas quando entraram em confronto armado com um grupo de suspeitos. Um deles, Gregory Ribeiro Vasconcelos, menor de idade e apontado como um dos responsáveis por atirar contra os agentes, foi baleado e morreu. Outro suspeito, também adolescente, foi atingido e apreendido em flagrante.
Durante a troca de tiros, um dos disparos atingiu o menino Ryan. Conforme mostrou o Estadão no ano passado, um laudo já indicava que o garoto foi morto por uma bala calibre 12, que teria partido de uma arma usada por um policial militar.
As investigações apontaram que houve uma troca de tiros "em sentidos opostos" e que Ryan foi atingido por um projétil disparado a cerca de 70 metros de distância, que possivelmente sofreu desvio.
Na conclusão do inquérito, conduzido pelo delegado Thiago Nemi Bonametti, a Polícia Civil afirmou que ficou comprovada a existência de confronto entre policiais e criminosos, que resultou na morte de Gregory. Em relação a Ryan, a investigação destacou que a "hipótese mais provável" é de que a bala tenha ricocheteado em alguma superfície antes de atingi-lo.
Segundo a Polícia Civil, os resultados dos laudos indicam "a impossibilidade de que esse desfecho fosse previsível para os policiais militares que efetuavam disparos em legítima defesa".
"A apuração revelou que o local em que a vítima foi atingida ficava a vários metros do ponto do confronto, em posição geograficamente mais elevada", diz o relatório. "O projétil apresentava abaulamento e chegou com energia final reduzida, não transfixando o corpo da criança, o que reforça a hipótese de ricochete ocorrido mais abaixo, próximo ao local do confronto".
O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) concluiu que a morte de Ryan ocorreu em decorrência de anemia aguda provocada por hemorragia interna traumática, causada por "lesão transfixante no fígado". O documento aponta ainda que o projétil teve trajetória de baixo para cima, "sugerindo ricochete".
Laudo pericial complementar indicou a presença de "marcas de atritamento" no projétil, o que, segundo a polícia, reforça a hipótese de que ele tenha ricocheteado em uma superfície dura antes de atingir a vítima.
Versões
Uma testemunha próxima à família informou em depoimento que a criança brincava na rua com um grupo de cerca de 10 a 12 crianças quando os tiros começaram. A distância de onde elas estavam era de, aproximadamente, 70 metros. O garoto foi atingido na região do abdômen, socorrido por um familiar e levado a um hospital, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.
Já os policiais envolvidos relataram que cerca de dez pessoas, quatro delas em motocicletas, teriam atirado contra os agentes. Um dos PMs afirmou ter efetuado sete disparos com uma espingarda calibre 12 "para repelir a agressão". Segundo ele, os suspeitos portavam "armas longas e curtas" e utilizavam motocicletas com placas falsas e furtadas. O policial também declarou que viu dois suspeitos caírem da moto e que, após o fim do confronto, os agentes ajudaram a socorrer os feridos.
Já a testemunha próxima à família de Ryan afirmou ter visto apenas uma motocicleta com duas pessoas (Gregory e o adolescente apreendido) e relatou que ambos foram atingidos por vários disparos, sem revidar. Segundo essa versão, os policiais continuaram atirando mesmo após os suspeitos caírem, e teria sido nesse momento que Ryan foi atingido.
O adolescente apreendido negou que ele e Gregory estivessem armados. Em depoimento, disse que ambos trafegavam de moto quando receberam ordem de parada policial e, em seguida, foram alvejados. Ele confirmou, porém, que Gregory estava envolvido com o tráfico de drogas.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado, a autoridade policial recebeu o laudo complementar do IML, solicitado pela defesa, e relatou o inquérito policial à Justiça na última segunda-feira, 2. O IPM também foi concluído e encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo em janeiro deste ano.
(Com Agência Estado)
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