Os países da União Europeia aprovaram, provisoriamente, o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9/1). Em contrapartida, o acordo entre a UE e quatro países latino-americanos foi alvo de protestos de agricultores franceses e provoca rejeição unânime por parte da França.
A maioria dos embaixadores dos 27 Estados-membros da UE aprovaram provisoriamente a maior parte do acordo, segundo fontes da União Europeia e diplomatas ouvidos pela imprensa internacional. No entanto, a confirmação formal dos votos, por escrito, será feita até as 17h, no horário de Bruxelas.
Após a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com os parceiros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — na próxima semana.
Para que o acordo entre em vigor, também será necessária a aprovação do Parlamento Europeu.
ACORDO
O acordo é considerado estratégico por ampliar a integração comercial entre duas grandes regiões econômicas e tem sido descrito como uma prioridade para reforçar o comércio global, a competitividade econômica e a estabilidade geoeconômica.
Ele prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais em uma das maiores áreas de comércio do mundo, o que pode impulsionar exportações e investimentos entre os dois blocos. Para países do Mercosul, isso representa acesso ampliado ao mercado europeu. Já para a UE, uma diversificação das relações comerciais.
Apesar da expectativa de assinatura, o processo ainda enfrenta etapas importantes de implementação e salvaguardas que precisam ser finalizadas antes da oficialização.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou, nessa quinta-feira (8/1), que decidiu votar contra o acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul.
Os agricultores franceses também continuam sendo o principal foco de resistência. Eles argumentam que o tratado abriria espaço para concorrência desleal com produtos sul-americanos, produzidos sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na União Europeia.
SETORES AGRÍCOLAS
Entre as medidas em pauta está um acordo conjunto entre o Conselho e o Parlamento Europeu para proteger setores agrícolas sensíveis, com regras que permitem suspender preferências tarifárias caso haja impactos negativos às produções locais.
Um dos principais desafios à conclusão do acordo vem de setores agrícolas europeus, especialmente na França, onde produtores defendem medidas para evitar que importações mais competitivas afetem seus mercados.
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