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Brasil Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 17:30 - A | A

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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026, 17h:30 - A | A

Nunes demite presidente da SPTuris e secretário após denúncias em contratos sem licitação

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) anunciou na quarta-feira, dia 25, a demissão do presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho da Silva. A medida foi tomada após denúncias que mostraram suposto favorecimento à empresa MM Quarter em contratos feitos sem licitação com a secretaria e a SPTuris. Ao todo a empresa tem contratos com a secretaria que somam R$ 229 milhões.

Procurado, Gustavo Pires disse por meio da assessoria de imprensa que determinou a abertura de uma apuração interna para análise dos fatos e que pediu ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) para afastá-lo da presidência da SPTuris com o "objetivo de assegurar total tranquilidade às apurações e à continuidade da gestão".

"Tenho muito orgulho do trabalho que realizamos. A SPTuris, sob nossa gestão, consolidou-se como referência em ética e governança. Tenho plena convicção da lisura dos processos conduzidos, inclusive no que se refere aos contratos, que seguiram rigorosamente todos os ritos legais", declarou.

Rodolfo Marinho da Silva ainda não se manifestou.

A MM Quarter é uma empresa de produções e eventos que está em nome de Nathalia Carolina da Silva Souza, que foi sócia de Marinho na empresa Legiscom Publicidade e Consultoria, que prestou serviços para campanhas eleitorais de políticos do PL, e trabalhou em 2017 com ex-secretário no gabinete do deputado Rodrigo Moraes (PL), na Assembleia Legislativa. Desde 2022, ela assinou 24 contratos com a prefeitura, parte deles de emergência, sem licitação.

Pires dirigia a SPTuris desde 2021. Marinho comandou a secretaria de abril de 2022 até 2024, quando se tornou secretário-adjunto - a pasta passou a ser comandada pelo deputado estadual Rui Alves Souza Junior (Republicanos), que foi mantido, por enquanto, no cargo. O caso da MM Quarter foi revelado pelo site Metrópoles. A empresa passou para sua então sócia sete dias antes de ele tomar posse.

Desde a sexta-feira, dia 20, a Controladoria Geral do Município (CGM) investiga o caso. A Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público da Capital também entrou na investigação. O caso foi distribuído para o promotor José Carlos Blat, que deve abrir um inquérito civil sobre o caso para apurar a improbidade administrativa.

Os investigadores querem saber se Marinho é sócio oculto da empresa MM Quarter, que foi responsável pela organização do Carnaval de São Paulo e também organizou feiras, a Fórmula 1 e outros eventos na capital.

Em vídeo publicado em sua conta no Instagram, o prefeito Nunes estava ao lado do controlador-geral do município, Daniel Falcão para anunciar a medida. "Estou aqui com o doutor Daniel Falcão, controlador-geral do município, a doutora Talita, também da controladoria. Vocês devem ter acompanhado que no dia 20 saiu uma matéria na imprensa trazendo denúncias sobre uma empresa fornecedora da Prefeitura de São Paulo", começava assim o vídeo do prefeito.

Nunes prosseguiu, afirmando: "Naquele mesmo dia, eu solicitei ao doutor Daniel Falcão que abrisse uma apuração, uma investigação. E, neste momento, eles me trazem aqui documentos referentes a essa apuração até o momento. Dentro desses documentos, aqui uma procuração da senhora Natália, da empresa Quarter, para o secretário adjunto Rodolfo Marinho."

Ou seja, a hipótese investigada pela controladoria é Natália seria laranja do secretário adjunto, que teria firmado contratos com uma empresa que, na verdade, seria sua. "Portanto, tendo em vista essa documentação e orientação da controladoria, de uma investigação que eu solicitei, estou demitindo, exonerando o senhor Rodolfo Marinho."

(Com Agência Estado)

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