Um vídeo em que a influenciadora digital Valéria Diniz manda um menino autista que vendia balas fazer o “L” provocou indignação nas redes sociais e mobilizou moradores de Fortaleza, no Ceará, para ajudar a família da criança. A gravação foi publicada na quarta-feira (28) e mostra a influenciadora recusando a compra dos doces após questionar o posicionamento político da mãe do garoto.
Nas imagens, registradas na região da avenida Beira-Mar, próximo ao Mercado dos Peixes, o menino, identificado como Mateus, oferece balas à influenciadora e às amigas que estavam com ela. Ao perguntar em quem a mãe dele havia votado, Valéria ouviu como resposta o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em seguida, a influenciadora, que declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pediu que o menino fizesse o “L” com a mão e recusou a compra. “Faz o ‘L’, não quero não, obrigada. Vai lá com a sua mãe”, disse. No vídeo, também é possível ouvir pessoas à mesa rindo da situação.
MOBILIZAÇÃO PARA AJUDAR A FAMÍLIA
A repercussão do episódio levou moradores da região, motociclistas e entregadores a organizar uma mobilização para ajudar Mateus e a família. Na quinta-feira (29), um grupo foi até a casa onde o menino vive com a avó, Inês de Maria do Nascimento, para entregar mantimentos e outras doações. Também foi organizada uma arrecadação virtual.
Mateus vende doces para contribuir com as despesas da casa. Segundo relatos publicados sobre o caso, ele perdeu a mãe, que morreu em decorrência de uma doença, e atualmente vive com a avó.
A história do menino ganhou visibilidade nas redes sociais, e o perfil da família no Instagram passou a reunir centenas de milhares de seguidores, conforme informações divulgadas após a repercussão.
INFLUENCIADORA PEDE DESCULPAS
Após a reação negativa, Valéria apagou a publicação original e sua conta principal saiu do ar. Em outro perfil, ela divulgou um pronunciamento no qual pediu desculpas à família de Mateus e às pessoas que se sentiram ofendidas.
A influenciadora afirmou que não teve a intenção de humilhar a criança e disse que o vídeo foi gravado durante um momento de descontração entre amigas. Ela também mencionou ser mãe de duas crianças e ter um filho autista.
“Eu jamais aceitaria que fizessem isso com um filho meu”, declarou no pedido de desculpas.
Apesar da justificativa, o episódio continuou gerando críticas nas redes sociais, principalmente pela exposição da criança e pela associação entre a compra dos doces e a posição política da família.
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