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Brasil Segunda-feira, 26 de Outubro de 2026, 13:41 - A | A

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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2026, 13h:41 - A | A

CASO DARK HORSE

Flávio Bolsonaro pode perder foro, mas investigação sobre filme do pai deve continuar no STF

Perícia da Polícia Federal analisa contratos, notas fiscais e movimentações de US$ 12,3 milhões ligados à produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

CONTEÚDO G1

REPRODUÇÃO

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A investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deve continuar no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo com a futura perda do foro privilegiado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação é de integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) ouvidos reservadamente pelo blog do jornalista Rafael Moraes Moura, conforme reportagem publicada nesta segunda-feira (26).

Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de domingo (25) e deverá perder a prerrogativa de foro ao deixar o Senado. No entanto, o entendimento atual do STF prevê a manutenção da competência da Corte para julgar crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas, mesmo após o fim do mandato.

O inquérito sobre o financiamento do filme foi aberto em julho pelo ministro André Mendonça e apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais. A investigação é um desdobramento das apurações envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

PF INVESTIGA DESTINO DE US$ 12,3 MILHÕES

Um dos principais pontos da investigação é esclarecer o destino de US$ 12,3 milhões transferidos ao exterior por Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, a pedido de Vorcaro. Os recursos foram depositados no fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, que atua na área de imigração e também é investigado no caso.

A Polícia Federal apura se o dinheiro enviado ao exterior tinha como finalidade efetivamente financiar a produção de Dark Horse ou se parte dos valores pode ter sido utilizada para custear despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde vive desde fevereiro de 2025.

A hipótese ainda é objeto de investigação e não representa uma conclusão sobre o destino dos recursos.

O fundo Havengate teria intermediado repasses relacionados ao financiamento do longa-metragem. Segundo a reportagem, a estrutura recebeu a primeira remessa de US$ 2 milhões em fevereiro de 2025, período que coincide com a mudança de Eduardo para os Estados Unidos.

Os investigadores pretendem verificar se existe uma ligação financeira ou contábil direta entre as sete remessas feitas pela Entre Investimentos ao Havengate, que somam US$ 12,3 milhões, e os valores posteriormente recebidos no Brasil pela Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme.

PERÍCIA ANALISA DOCUMENTOS

A Polícia Federal deve concluir nos próximos meses a perícia contábil e financeira dos contratos e das despesas apresentados pela Go Up Entertainment. A empresa encaminhou mais de 20 mil páginas de documentos, incluindo contratos de câmbio, notas fiscais e recibos de despesas operacionais.

De acordo com a PF, o trabalho busca verificar se os gastos declarados pela produtora são compatíveis com os contratos de câmbio utilizados para a entrada de recursos no Brasil e com o fluxo financeiro das transferências realizadas no exterior.

Os peritos também devem apurar o total das despesas efetivamente pagas e comprovadas por documentos fiscais e bancários. Entre os pontos examinados estão possíveis pagamentos em duplicidade, notas fiscais canceladas, recibos sem identificação adequada dos beneficiários e transações com empresas que aparentemente não teriam capacidade operacional para executar os serviços contratados.

Outra frente consiste em verificar se os valores declarados correspondem à estrutura e às etapas de produção efetivamente realizadas no Brasil.

A perícia também busca identificar eventuais indícios de contratos simulados, subfaturamento, superfaturamento de serviços ou triangulação financeira que possa ter dificultado a identificação do destino final dos recursos.

GASTOS NOS EUA CHAMAM ATENÇÃO

Segundo uma perícia contratada pela própria Go Up Entertainment, 72% das despesas do filme teriam ocorrido nos Estados Unidos, embora a produção tenha sido filmada no Brasil.

O percentual chamou a atenção de produtores ouvidos pela reportagem original, especialmente diante dos valores atribuídos às etapas iniciais do projeto, considerados elevados em comparação com o padrão de produções semelhantes.

A análise da Polícia Federal deverá confrontar as despesas declaradas com a documentação financeira e fiscal disponível. Até a conclusão dos trabalhos, porém, não é possível afirmar que os valores indiquem irregularidades.

OUTROS POLÍTICOS SÃO ALVOS DO INQUÉRITO

Além de Flávio Bolsonaro, a investigação sobre o financiamento de Dark Horse envolve o deputado federal reeleito Mário Frias (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro. A permanência de Mário Frias na Câmara dos Deputados assegura a ele a prerrogativa de foro no STF.

Flávio também é citado em outra investigação na Corte, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo e possível sócio do senador em determinados negócios.

Esse segundo caso está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A continuidade das apurações e a definição sobre a competência do STF dependerão do enquadramento dos fatos investigados e das regras de foro aplicáveis a cada caso. A existência dos inquéritos não significa que os investigados tenham sido considerados culpados.

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