A produção do filme “Dark Horse”, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizou espaços públicos vinculados ao Governo de São Paulo para gravações e tentou filmar no Pateo do Collegio, mas teve autorização negada pelos administradores do local. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles
nesta quarta-feira (13), em meio à repercussão sobre o suposto financiamento do longa com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo reportagem dos jornalistas Artur Rodrigues e Vinicius Passarelli, a produção alugou áreas do Museu das Favelas e do Memorial da América Latina, ambos equipamentos ligados ao Governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas.
O Museu das Favelas foi utilizado nos dias 3 e 4 de dezembro de 2025 para gravações da cena que retrata a facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. De acordo com o Metrópoles, o aluguel do espaço custou R$ 57 mil.
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Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro no filme, sendo carregado por apoiadores em frente ao prédio histórico localizado no centro da capital paulista.
Já no Memorial da América Latina, segundo a reportagem, a produção desembolsou R$ 125,9 mil para utilização de diferentes espaços entre os dias 19 e 22 de novembro.
Em nota reproduzida pelo Metrópoles, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo afirmou que a locação temporária de espaços culturais estaduais segue critérios “objetivos, democráticos e impessoais”.
O filme também tentou utilizar o Pateo do Collegio, administrado por jesuítas, mas o pedido foi recusado. Segundo troca de e-mails obtida pelo portal, representantes da instituição alegaram falta de consulta prévia sobre o cronograma das gravações.
Após a negativa, a equipe transferiu as filmagens da cena da facada para o Museu das Favelas.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh e com roteiro do deputado federal Mario Frias, o longa voltou ao centro do debate após reportagem do The Intercept Brasil
revelar mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro e a Daniel Vorcaro.
Segundo o Intercept, o banqueiro teria negociado repasses de até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar a produção. O veículo afirma que ao menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos em seis operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025.
Em meio à repercussão, a Go Up Entertainment, responsável pelo filme, divulgou nota negando ter recebido recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas ao banqueiro.
A manifestação foi revelada em reportagem do jornalista Andre Shalders, na coluna de Andreza Matais, do Metrópoles. Segundo a produtora, “não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário”.
A nota também afirma que o projeto foi estruturado por meio de financiamento privado e sem utilização de recursos públicos.
Outro desdobramento ocorreu após aliados de Flávio Bolsonaro sugerirem que Vorcaro teria financiado produções ligadas a outros líderes políticos. Em resposta, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, negou qualquer relação financeira entre o governo federal e o banqueiro.
Segundo reportagem da jornalista Isadora Teixeira, publicada na coluna Grande Angular, do Metrópoles, Sidônio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo “jamais pediram ou receberam dinheiro” de Vorcaro para produções cinematográficas.
O publicitário Elsinho Mouco, responsável por um documentário sobre o ex-presidente Michel Temer, também negou qualquer financiamento do banqueiro.
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