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CORRIDA PRESIDENCIAL

Eleitorado feminino amplia vantagem e vira foco estratégico na disputa pela Presidência

Com 9,1 milhões de eleitoras a mais que homens, mulheres representam 52,8% do eleitorado e ampliam influência na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

CONTEÚDO G1

REPRODUÇÃO/ O GLOBO

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O crescimento do eleitorado feminino consolidou as mulheres como um dos segmentos mais estratégicos das eleições presidenciais de 2026. Dados atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que há 9,1 milhões de mulheres a mais do que homens aptas a votar, o equivalente a 52,8% do eleitorado brasileiro. O cenário aumenta a importância da disputa por esse público, especialmente diante da diferença de comportamento entre homens e mulheres observada nas últimas eleições.

A evolução demográfica tornou o peso do voto feminino ainda maior. Em 2010, a diferença entre eleitoras e eleitores era de 5,1 milhões de pessoas. Em pouco mais de uma década, esse número praticamente dobrou, reforçando a influência das mulheres no resultado das eleições nacionais.

Estudos apontam que a clivagem de gênero passou a ganhar força a partir da eleição de 2018. Até então, homens e mulheres apresentavam comportamento eleitoral mais semelhante nas disputas presidenciais, com predominância do PT em ambos os grupos entre 2002 e 2014.

Segundo o cientista político Jairo Nicolau, autor do livro O País Dividido, a eleição de Jair Bolsonaro marcou uma mudança significativa nesse cenário. Em 2018, o então candidato teve desempenho muito superior entre os homens, enquanto a disputa entre as mulheres foi mais equilibrada. Em 2022, apesar da queda no apoio em ambos os segmentos, Bolsonaro manteve vantagem entre o eleitorado masculino, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva venceu entre as mulheres, fator considerado decisivo para o resultado final.

Para a pesquisadora Andressa Rovani, do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da Unicamp, a entrada de Bolsonaro na disputa presidencial introduziu temas de cunho moral que alteraram o comportamento eleitoral feminino.

Segundo ela, a rejeição ao ex-presidente teve papel relevante na aproximação das mulheres com o PT nas duas últimas eleições presidenciais. Dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb), ligado ao Cesop, indicam que Fernando Haddad, em 2018, e Lula, em 2022, obtiveram cerca de dez pontos percentuais a mais entre as eleitoras do que entre os eleitores no segundo turno.

Pesquisas recentes mostram que essa diferença continua presente. Levantamento Genial/Quaest divulgado neste mês aponta que 50% das mulheres aprovam o governo Lula, enquanto 44% desaprovam. Entre os homens, o cenário se inverte: 50% desaprovam a gestão e 46% aprovam.

Já pesquisa Datafolha realizada em junho mostra que, em uma simulação de segundo turno, Lula aparece com 44% das intenções de voto entre as mulheres, contra 26% de Flávio Bolsonaro. No eleitorado masculino, há empate, com 37% para cada candidato.

Diante desse cenário, pré-candidatos têm buscado estratégias para ampliar a identificação com o público feminino. Flávio Bolsonaro, por exemplo, passou a dar maior visibilidade à esposa, Fernanda Bolsonaro, durante a pré-campanha e tem destacado publicamente o fato de ser pai de uma menina.

Na última quinta-feira, o senador também divulgou um vídeo em que pediu desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e renovou o convite para que ela participe da campanha eleitoral, em meio aos esforços para reduzir desgastes junto ao eleitorado feminino.

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