"O PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente", diz o comunicado.
Segundo o governo americano, o PCC explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro do tráfico de drogas. A facção representa uma ameaça crescente à segurança nacional por conta da atuação na lavagem de dinheiro, no tráfico de drogas e no contrabando de dinheiro em espécie.
Fundação: disputas sangrentas em Taubaté com Cesinha e Geleião
O Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, no Vale do Paraíba. O local, conhecido como "Piranhão", era considerado pelos presos da época como uma espécie de castigo, em razão das condições precárias e de brigas frequentes entre os detentos. O Massacre do Carandiru, que resultou na morte 111 presos na zona norte de São Paulo em 1992, aumentou ainda mais a tensão no presídio.
A primeira demonstração de força viria em um campeonato de futebol. Era 31 de agosto de 1993, no que era para ser mais uma partida da competição, oito detentos emboscaram dois presos considerados rivais (Baiano Severo e Garcia) em uma quadra. A carnificina foi encabeçada por nomes como Geleião e Cesinha. Estava fundado o Primeiro Comando da Capital.
Na primeira década após sua fundação, o PCC era marcado por uma ofensiva até mais explícita contra o Estado, muito em conta do que pensavam nomes como Cesinha, Sombra e Geleião.
Expansão: irmandades secretas sob o comando de Marcola
Com a ascensão de Marcola, o PCC passou a ter caráter mais próximo ao de "irmandades secretas", com uma regulação mais estruturada das atividades criminosas e proibições expressas para quem ingressasse na facção. Em contrapartida, foram providos benefícios e proteção aos presos. Essa segunda fase foi decisiva para consolidar a organização como a principal força do narcotráfico do País.
Transcontinental: cocaína parte de Santos para o mundo com André do Rap e Fuminho
O foco passou a ser a ampliação da presença da organização no cenário internacional. A mudança se deu em resposta a condenações de lideranças históricas da organização, a transferências de nomes fortes da alta cúpula para presídios federais e a novas medidas adotadas pelas autoridades para dificultar a comunicação de quem está na prisão - o celular teve papel central na expansão do PCC no começo dos anos 2000.
Nos últimos anos, as autoridades têm buscado sufocar financeiramente a organização. Histórias recentes ajudam a mostrar como o PCC tem se reconfigurado diante dessa nova dinâmica. Nomes como André do Rap, Fuminho e Cabelo Duro, influentes na Baixada Santista, despontaram com força na organização e passaram até a acumular riquezas a partir do crime. Em 2018, Gegê do Mangue, considerado uma das principais lideranças do PCC nas ruas, suspeitou da atuação do trio e proibiu que a estrutura da facção fosse usada para fins particulares.
Gegê foi assassinado a tiros em uma suposta emboscada em território indígena em Aquiraz, no Ceará. Uma semana depois, Cabelo Duro também foi morto - ele havia sido apontado como o assassino, a mando de Fuminho. A revelação abalou a organização, uma vez que Gegê era batizado como "irmão" e Fuminho, não. Ou seja, ele não poderia ter mandado executar Gegê sem aval da "Sintonia Final", cúpula mais alta da organização.
Assassinato de delator e ex-delegado-geral de SP
Uma das maiores demonstrações recentes do poderio bélico do crime organizado foi a execução de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do (PCC) morto a tiros de fuzil, em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.
Investigado por lavar dinheiro para a facção, ele vinha colaborando com o Ministério Público do Estado (MP-SP) em uma das principais investigações contra o crime organizado dos últimos anos. O ataque também resultou na morte do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, alvejado nas costas dentro do terminal.
As investigações do assassinato revelaram o nível de envolvimento das forças de segurança no crime organizado. O soldado Ruan Silva Rodrigues e o cabo Denis Antônio Martins, são apontados como os atiradores, e o tenente Fernando Genauro da Silva, acusado de conduzir a dupla de carro até o aeroporto.
Presos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, eles são acusados por dois homicídios consumados qualificados e por duas tentativas de homicídio também qualificadas - além das vítimas, ao menos outras duas pessoas saíram feridas do atentado. Ao todo, os PMs podem pegar um mínimo de 51 anos de cadeia pelo crime, sendo 21 anos somente pelo assassinato de Gritzbach.
O PCC também é apontado pelo Ministério Público de SP como mandante do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes. Ruy era conhecido por sua atuação contra a facção. Ele chefiou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022. Em 2006, foi o responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O crime foi ordenado pelo alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC) como vingança, segundo o MP.
2 mil soldados e atuação em 28 países
Conforme reportagem do Estadão publicada em junho de 2025, PCC tem mais de 2 mil "soldados" distribuídos por pelo menos 28 países, além do Brasil, aponta mapeamento do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). Na Europa, a maior quantidade de membros da facção criminosa está em Portugal, onde há 87 criminosos, segundo o levantamento.
O segundo país com mais integrantes da facção é a Espanha, com 26, seguido pela França, com 11. Depois vêm Holanda, Irlanda e Itália, com 3 criminosos cada, Bélgica, Inglaterra e Suíça, com 2, Alemanha, Sérvia e Turquia, com 1 "soldado" do PCC cada.
No mundo, as maiores concentrações de "soldados" do PCC depois do Brasil estão em países da América do Sul. Segundo o levantamento, que é do final de 2023, na época o Paraguai reunia 699 integrantes da facção. A Venezuela é a segunda, com apenas 43 a menos (656 criminosos), e a Bolívia era o terceiro país com mais membros, com 146.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.








