O Estadão revelou, em junho, que Joana Mourão escreveu em conversas com interlocutores que possuía documentação suficiente "para acabar com a família inteira" de Vorcaro e para derrubar qualquer acordo de delação premiada dele. Ela foi chamada para prestar depoimento à PF em junho e minimizou essas declarações.
O depoimento de Joana foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pela defesa do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, junto com uma carta dele na qual se diz vítima de "injustiça" e nega o cometimento de crimes. A defesa apresentou o depoimento sob o argumento de que Joana Mourão corrobora a versão de que Henrique só mantinha negócios lícitos com Mourão e pessoas ligadas a ele, sem ter conhecimento de ameaças ou outras ações ilegais realizadas pelo grupo.
Joana afirmou que, após ser preso, o Sicário lhe orientou a telefonar para Henrique Vorcaro sob a justificativa de que ele lhe devia dinheiro. Ele acabou morrendo no hospital após um episódio que foi considerado como tentativa de suicídio dentro da cela da PF, em março do ano passado.
"Disse que em todas as três oportunidades em que a declarante conversou com o seu irmão após ele ser preso, PHILLIPI falou para ela ligar para HENRIQUE VORCARO, uma vez que HENRIQUE lhe devia dinheiro. Em seguida, disse que, ao acessar o iCloud de seu irmão, verificou a existência de contratos imobiliários entre PHILLIPI e HENRIQUE e que seu irmão tinha muito dinheiro a receber de HENRIQUE", diz o termo do depoimento, que foi gravado em vídeo.
"Ato contínuo, afirmou que sua manifestação no sentido de que teria material suficiente para 'derrubar' eventual acordo de colaboração premiada decorreu do estado emocional fragilizado em que se encontrava, esclarecendo que o conteúdo visualizado referia-se a contratos imobiliários e não a práticas ilícitas. Negou ter identificado elementos indicativos de crimes adicionais praticados por seu irmão ou por terceiros com base no material acessado", diz outro trecho do depoimento.
Joana contou ainda que a relação de Daniel Vorcaro com seu irmão era de longa data e que eles haviam estudado juntos quando tinham aproximadamente 12 anos de idade.
"Afirmou que, após a apreensão de seus aparelhos celulares em operação feita pela Polícia Federal, encontrou um aparelho celular antigo em casa que estava desligado. Afirmou que, ao ligá-lo, verificou que o aparelho estava "linkado" com a conta de iCloud do seu irmão, momento em que teve acesso ao seu conteúdo. Declarou que, nesse acesso, visualizou contratos imobiliários envolvendo PHILLIPI e HENRIQUE, os quais, segundo sua compreensão, tratavam de participações imobiliárias de natureza lícita", diz o documento.
(Com Agência Estado)
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