Neste domingo, irei votar.
Serei apenas mais um entre milhões de mato-grossenses e entre dezenas de milhões de brasileiros. Alguém poderá dizer que o meu voto não é decisivo. É possível. Mas, ainda assim, ele conta. Ele é importante. Pelo menos para mim e talvez um punhado de pessoas queridas.
Este não será o meu primeiro voto. Os cabelos brancos são testemunhas de que já fui às urnas muitas vezes. E confesso que gostaria de ter ido mais vezes ainda, mas, na juventude, passei por uma ditadura que me impediu de votar para presidente até quase os meus trinta anos. Descontei depois, votando sempre contra quem defendia aquela ditadura ou ainda defende qualquer outra espécie de ditadura.
Mas tenho certeza de que a minha emoção será parecida com a da primeira vez.
Sempre votei com a esperança de acertar, escolhendo a melhor opção entre as disponíveis. Nem sempre acertei, mas nunca cometi um erro grave. Por exemplo, jamais votei em quem professa ideias fascistas, racistas, de exaltação a torturadores ou de destruição do meio ambiente — ou em quem reúne tudo isso em um só personagem.
Nem sempre o meu voto venceu, mas nunca me envergonhou.
Votei em Leonel Brizola para governador do Rio de Janeiro em 1982 e vencemos numa campanha histórica e heroica. Tenho enorme orgulho do excelente governo que o meu voto ajudou a construir.
Votei em Darcy Ribeiro para governador do Rio em 1986, e em Leonel Brizola para presidente em 1989, e perdi essas duas eleições. Até hoje sigo convencido de que a história do Brasil seria outra, muito diferente e muito melhor, se tivéssemos vencido naquelas oportunidades. Por isso, também tenho muito orgulho de apresentar esses dois votos no meu currículo cívico.
Com a maturidade, compreendi que nenhum agrupamento político detém o monopólio da virtude ou da verdade, nem está imune a contradições e desvios. Conheci muitas pessoas de bem com pensamentos bastante diferentes dos meus e, também, supostos aliados que se revelaram apenas oportunistas. Outra coisa que aprendi é que a escolha para os cargos legislativos é tão importante quanto a dos executivos, se não mais, e certamente mais difícil.
Às vezes, invejo povos que puderam eleger estadistas e humanistas como Nelson Mandela, Pepe Mujica, Olof Palme, Willy Brandt ou Salvador Allende. Por outro lado, sinto compaixão daqueles que não podem votar livremente, como na Rússia, na Nicarágua ou na Coreia do Norte, ou que, podendo votar, fazem escolhas desastrosas, como se vê no atual cenário em Israel.
Por isso, devemos valorizar profundamente o nosso direito de voto e tratá-lo como um dever de cidadão de contribuir para o futuro de nosso país e de nossos filhos e netos. E, ganhando ou perdendo, respeitar as opiniões diversas.
Desejo bons votos a todos os leitores e que Deus abençoe nossas escolhas.
Viva a democracia!
(*) LUIZ HENRIQUE é professor e escritor.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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