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Nada consegue explicar a paixão de um torcedor pelo seu time de futebol. É uma profusão de sentimentos que vão da revolta ao êxtase em questão de segundos. Suor, calafrios e histeria se misturam no coração, de forma a mudar completamente a noção de realidade dos espectadores. Na arquibancada, reagem como verdadeiros guerreiros enfurecidos. Em casa, diante da televisão ou do rádio, contorcem-se de prazer e ódio.
| Marcos Raimundo |
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Enfim, o torcedor é um espetáculo à parte deste esporte que encanta multidões. Homens frios e austeros são capazes de verdadeiras loucuras para acompanhar seus clubes. Políticos, em geral, mudam de partido, mas jamais de time.
Alguns exemplos de amor extremado de autoridades públicas mato-grossenses por seus clubes:
1 – O ex-governador Blairo Maggi saía de surdina do Palácio Paiaguás, tomava seu avião particular e se dirigia até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, apenas por uma noite, para assistir a jogos do Internacional.
2 - José Riva, presidente da Assembléia Legislativa, também dá suas escapadinhas de fim de semana, para torcer, em São Paulo, pelo Corinthians.
3 - Wilson Santos era capaz de largar até a campanha eleitoral ao governo estadual para ter notícias do escrete da Vila Belmiro.
4 - Humberto Bosaipo e Gilmar Fabris, sempre que o Botafogo disputava um título, acompanhavam as partidas no Rio de Janeiro, mesmo que fosse uma estadia de algumas horas apenas entre os cariocas.
5 - Sem falar de Antero Paes de Barros, que assumiu a luta para manter o Mixto Esporte Clube como uma missão de vida.
Lídio Moreira, diretor da Ligraf, um dos mais respeitados gráficos de Mato Grosso, enquadra-se na categoria de torcedor apaixonado. Seu time do coração é o Santos Futebol Clube. Seu humor oscila conforme o desempenho do clube. Gol de Neymar é um bálsamo para sua alma peixeira.
Na final da Taça Libertadores da América, entre Santos e o uruguaio Peñarol, em agosto de 2011, Lídio não teve dúvidas. Comprou passagem de Cuiabá a São Paulo para toda a família, vestiu o filho e a mulher com a camiseta do time e foi ao estádio do Pacaembu. Era uma noite de glória. Noite de festa. Suas pernas estavam trêmulas e as mãos suavam de emoção.
Lídio chegou à catraca de entrada do campo. Neste momento deu-se o imponderável. Ele tinha comprado ingressos falsos de um cambista. Ao apresentar o bilhete na portaria, um policial foi logo colocando a mão no seu peito e decretando... “É falsificado”. Atônito, Lídio tentou se explicar... O guarda não deu a menor bola: “circulando, circulando”, ordenou sem compaixão.
Lídio recostou-se no muro do estádio e quis chorar. Só não o fez, porque ficou com vergonha do filho. Mas, resignado, voltou ao hotel e assistiu o sucesso do Santos Futebol Clube, que impôs uma derrota de 2x1 ao adversário.
Seu único consolo: não foi pé frio. Seu sacrifício consumou-se em vitória.
(*) PAULO LEITE é escritor, jornalisa e publicitário e escreve para HiperNoticias às quartas e sextas.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
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