O recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil reacende uma velha discussão sobre soberania econômica e dependência externa. Mais do que uma medida comercial, trata-se de um gesto político que expõe fragilidades históricas da nossa diplomacia e da condução de políticas industriais. O Brasil, que deveria estar preparado para enfrentar oscilações do mercado internacional, vê-se novamente refém de decisões tomadas em Washington. Todavia, atitudes como essa não são devaneios inconsequentes de Trump; ao contrário, historicamente o “Big Stick” estadunidense se fez presente em diversos momentos nas relações entre os dois países, notadamente a partir da Guerra Fria.
A Guerra Fria (1947 – 1991) foi um período de disputa política e ideológica entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética com reflexos políticos, econômicos e culturais no Brasil. Na política externa, o alinhamento do Brasil com os Estados Unidos passou da subserviência vergonhosa até tentativas de uma Política Externa Independente (PEI) no governo Jango que naufragou com o golpe militar de 64 e desencadeou os 21 anos de Ditadura Militar (1964 – 1985). Economicamente, o país aumentou a dependência financeira dos EUA que direcionou o setor produtivo para o agronegócio e promoveu um intenso processo de substituição de importações levando o país à dependência de insumos e tecnologias estadunidenses. Na cultura, a influência dos EEUU vai do exotismo de Carmen Miranda ao improviso disneysiano do Zé Carioca.
No cenário atual, é impossível ignorar o papel da família Bolsonaro que, durante anos, cultivou uma retórica de alinhamento automático com os EUA. Essa postura marcada por gestos simbólicos e pouco pragmatismo deixou o país vulnerável. Ao invés de negociar com firmeza; preferiu-se a submissão ideológica, o que agora cobra seu preço. O tarifaço não é apenas uma medida econômica: é também um reflexo da falta de estratégia de quem acreditou que bajulação diplomática seria suficiente para garantir benefícios comerciais.
Além disso, a política externa bolsonarista, personificada em figuras como Flávio Bolsonaro, mostrou-se mais preocupada em atender interesses pessoais e familiares do que em defender o setor produtivo nacional. O resultado é que agricultores, industriais e trabalhadores brasileiros pagam a conta de uma diplomacia improvisada. Essa mesma política entreguista, ao induzir Donald Trump a classificar facções criminosas como terroristas e tentar destruir o PIX, além de impor novas taxações a produtos brasileiros, causa enormes prejuízos à nação brasileira; por isso o “Tariflávio” é sinônimo de subserviência ao imperialismo ianque.
Assim, o tarifaço norte-americano não é apenas um problema econômico: é um retrato político. Ele escancara como escolhas equivocadas e alianças mal calculadas podem comprometer o futuro de um país. O Brasil precisa aprender que soberania não se constrói com discursos vazios, mas com negociações firmes e políticas industriais sólidas. O “Tariflávio” ficará como marca de um período em que a ideologia se sobrepôs ao pragmatismo com consequências danosas a todos os segmentos socioeconômicos brasileiro. Parafraseando o mexicano Porfirio Díaz: “Pobre Brasil, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
(*) SÉRGIO CINTRA é professor de Linguagens e servidor do TCE-MT.
[email protected]
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.








