A cidade está perdendo suas árvores adultas, suas copas, suas sombras e parte essencial da sua qualidade de vida urbana. O que temos visto, com frequência cada vez maior, não pode ser tratado como fato isolado, erro pontual ou simples procedimento de poda. Trata-se de um problema estrutural na forma como a arborização urbana vem sendo conduzida na capital.
Árvores estão sendo cortadas, mutiladas, removidas ou drasticamente reduzidas, muitas vezes sem que a população compreenda quem autorizou, qual foi o critério técnico utilizado, qual era o risco real, quem fiscalizou a execução e qual compensação ambiental será efetivamente realizada.
Enquanto isso, Cuiabá segue enfrentando calor extremo, calçadas sem sombra, ruas cada vez mais áridas e bairros inteiros sem cobertura vegetal adequada. Em uma cidade como a nossa, árvore não é enfeite. Árvore é infraestrutura urbana. É saúde pública. É conforto térmico. É proteção da vida.
Não podemos aceitar que árvores adultas, que levaram décadas para oferecer sombra e equilíbrio ambiental, sejam tratadas como obstáculos. Muito menos podemos aceitar que a sua perda seja compensada apenas com mudas pequenas, frágeis e sem garantia de sobrevivência. Uma árvore adulta não se substitui com discurso ambiental. A compensação precisa ser proporcional ao dano, com plantio de árvores de porte urbano, manutenção, irrigação, acompanhamento técnico e transparência.
Também é urgente discutir a responsabilidade das concessionárias, prestadores de serviço e órgãos públicos envolvidos nas intervenções sobre árvores urbanas. Poda técnica não é mutilação. Manejo responsável não é destruição. Quando há risco à rede elétrica, à segurança ou à circulação, a solução deve ser técnica, planejada e fiscalizada, não agressiva, improvisada e silenciosa.
Cuiabá precisa saber: quem está cuidando das nossas árvores?
A cidade necessita, com urgência, de uma política pública séria de arborização urbana. Isso passa pela execução efetiva do Plano Diretor de Arborização Urbana, pela definição de protocolos claros de poda e remoção, pela fiscalização das concessionárias, pela capacitação de equipes, pela transparência das autorizações e pela responsabilização de quem autoriza ou executa intervenções inadequadas.
A população também precisa participar. É preciso olhar para a própria rua, registrar, denunciar, cobrar respostas e não normalizar a destruição da arborização urbana. Cada árvore adulta perdida representa mais calor, menos sombra, menos biodiversidade e menos qualidade de vida para todos.
Cuiabá não pode continuar assistindo calada à morte das suas árvores.
A Associação Cuiabá Mais Verde seguirá cobrando, denunciando, propondo soluções e defendendo uma cidade mais arborizada, mais saudável e mais preparada para o futuro.
Porque quando uma árvore adulta desaparece, quem perde não é apenas uma calçada.
Quem perde é Cuiabá inteira.
(*) SILVIA MARA SILVA DE ARRUDA MARTINS é Advogada, especialista em Direito Ambiental e Urbanístico, presidente da Associação Cuiabá Mais Verde.
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