Terça-Feira, 02 de Junho de 2020, 15h:17

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O que compartilhas?

Por: JOÃO EDISOM

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JOÃO EDISOM

Vivemos momentos tensos no mundo e principalmente no Brasil por conta da instabilidade política que vem se agravando desde 2013 e inflada ao limite a partir do comportamento do atual presidente da República. Esta tensão se dá porque pessoas (poucas) geram ideias nefastas para que pessoas (muitas) compartilhem e assim formem uma rede de comunicação que propaga o ódio coletivo e os conflitos. A verdade é o que menos interessa nesta guerra, o importante é lacrar! Causar! Quem comanda a guerra nunca vai para o fronte da batalha!

Quase sempre a abordagem se dá sobre temas importantes extraídos do cotidiano político ou de pessoas públicas (políticos, artistas, jornalistas, escritores) usando o máximo de sarcasmo, cinismo ou algo odioso para que se tornem corrente para disseminar a discórdia ou reafirmar uma já existente. Esta é uma distorção da verdade criada a partir de distorções de fatos ou mentiras absolutas. Em ambos os casos é falsa, fake news!

A pergunta que devemos fazer é: por que eu compartilho isso? A resposta chega a ser simplista, mas é única: interesse! É porque o texto comtempla o meu imaginário e vira munição para afirmar ou reafirmar meus desejos ou minha convicções meramente mentais. O fofoqueiro e o mentiroso só existem porque suas invencionices encontram terra fértil nos ouvidos alheios.

O ritmo tem colocado pessoas contra pessoas enquanto seus criadores se deliciam com sua capacidade de manipular a massa. Daí se explica a campanha contra a imprensa, por exemplo. As pessoas achincalham as mensagens sem ao menos se certificar da veracidade; por puro ódio do mensageiro (ou do veículo de comunicação). A fórmula é simples: menos imprensa, mais espaço para as fake news.

A energia e o cabo que conecta esta rede de intrigas somos nós, os compartilhadores. E seremos nós os responsáveis também pelos atentados, pelas guerras e pela destruição do futuro. Ou você ainda não percebeu que estamos cada dia mais perdendo a esperança? Quem cria jamais vai se sentir culpado (nuca vi mentiroso com remorso), mas quem repassa ainda vai morrer de tristeza pela dor do presente e destruição do futuro, tudo baseado nas invencionices dos outros. Não basta ser uma pessoa boa, é preciso não ser replicador do ódio inventado.

Então, posso ajudar? Claro! Use as redes sociais para escrever o que você pensa sobre o mundo, sobre a política, sobre a sua vida, mas escreva você mesmo o que você pensa e não o que o impulso do texto dos outros te proporciona! Faça política sim, compartilhe a sua política ou o seu pensamento político, os seus estudos sobre os assuntos de seu interesse.

Não compartilhe ideia dos outros! Não compartilhe a intriga. Não seja “mula” da fake News, do ódio e da desgraça, ou dos interesses políticos e eleitoreiros de terceiros. Não seja “garoto de recado” para atacar pessoas ou grupos de pessoas!

Compartilhe sim, mas  a arte, compartilhe a fé, compartilhe a sua história, as suas recordações com suas saudades, seus amores, suas alegrias ou suas dores. Compartilhe bom dia, boa tarde, boa noite. Compartilhe a poesia, compartilhe o trabalho, compartilhe a paixão, o amor e assim ajudará o mundo a ser melhor para que todos nós sejamos melhores.

 

(*) JOÃO EDISOM é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

 

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1 Comentários

Thomas Morus - 03/06/2020

Como sempre coerente. Entretanto, me permita algumas ressalvas. Sobre IMPRENSA tão defendida. Ouso afirmar que essa IMPRENSA não é santa, e se há ódio é justamente por causa das fofocas e intrigas publicadas nas mídias/sites de notícias, jornais e revistas. Importante destacar que a principal finalidade da Imprensa deve ser educativa, prezando pela qualidade e veracidade do fato divulgado. Deve ser adotada uma posição neutra, de modo a respeitar os dois lados de um problema, para possibilitar à população a formação de um ponto de vista baseado no real. O que vemos e assistimos muitas vezes é a manipulação das informações, através da omissão ou valorização de dados ou por causa do privilégio de um "lado da moeda”, comprometendo a opinião da população, que será construída por meio de uma meia verdade. Hoje o jornalismo está repleto de “mães Diná”, que leem até pensamento do político “A” ou “B”, sempre interpretando conforme o desejo e os interesses de quem os paga. Por outro lado, a sociedade já não suporta mais a impunidade para os lesa-pátria, privilégios e mordomias para quem legisla em causa própria, e há ainda alguns representantes da Suprema Corte - STF, que não se comportam condignamente como magistrados e se metem a dar palpites em tudo como se fossem os donos da verdade e, quanto as decisões estão a descumprir acintosamente a Constituição da república e se tornou o paraíso dos marginais. Sim, há pessoas disseminando o ódio de todos os lados, seja os que se intitulam de direita como os inconformados de esquerda e tudo por causa das “notícias” enviesadas publicadas pela imprensa, que deveria exercer seu papel social de modo a beneficiar o todo. É preciso que aqueles que fazem parte dessa área entendam e respeitem a capacidade de influência que possuem e trabalhem para que notícia seja verdadeira, imparcial, sempre com as duas versões do fato

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