Os Estados Unidos planejam classificá-las como organizações terroristas e as consideram ameaças significativas à segurança regional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, pela primeira vez no País, no Palácio do Planalto.
"Brasil e Bolívia estão unidos na preocupação com a segurança pública. O acordo que assinamos hoje renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado dos dois lados da fronteira," disse Lula. "Ele prevê maior coordenação para prevenir e punir o tráfico de drogas e de pessoas, contrabandos, roubo de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais."
Diante deles, ministros dos dois governos assinaram três acordos negociados previamente. Um sobre ações de cooperação e coordenação contra o crime organizado, com foco em prevenção, repressão, sanção e investigação do tráfico de pessoas, narcotráfico, tráfico de armas, mineração ilegal, crimes ambientais e crimes cibernéticos.
Os outros dois são para cooperação turística, voltado à promoção e formação no setor; e um de interconexão elétrica entre os países, com construção de linhas de transmissão e outros equipamentos, entre o Departamento de Santa Cruz, na Bolívia, e Corumbá (MA).
Lula e Paz também falaram sobre integração de infraestrutura de transportes, com rotas bioceânicas, de interesse de ambos, e incentivo ao uso de hidrovias para garantir uma saída ao Atlântico para exportações bolivianas.
Rodrigo Paz participou, dias atrás, do encontro de líderes Escudo das Américas, promovido por Donald Trump, com 12 chefes de Estado e de governo, mas que excluiu os três maiores países - Brasil, México e Colômbia -, que têm papel crucial nas rotas de produção e escoamento de drogas e são marcados por facções criminosas.
O encontro é fruto de uma estratégia de Lula de se aproximar de presidentes de direita que assumiram governos América Latina. Eles haviam se encontrado pessoalmente em janeiro, no Panamá, quando Lula convidou o boliviano para visitar o País.
Ideologia
Ao avaliar o cenário conflituoso global, Lula disse que ambos presidentes concordaram que a integração regional não é um "projeto ideológico, mas uma necessidade histórica".
Ele defendeu a adesão boliviana ao Mercosul como uma forma garantir mais autonomia estratégica ao bloco, diante de instabilidade dos mercados no mundo todo. Para o brasileiro, o bloco sul-americano se consolida como eixo de integração continental.
Lula ainda citou disputas políticas internas na Bolívia. Segundo ele, assim como a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, a Bolívia enfrentou "desafios democráticos" em 2019 e 2024 - quando seus aliados do Movimento ao Socialismo (Evo Morales e Luis Arce), adversários de Paz, estavam no poder e denunciaram tentativas de golpe.
O petista disse que os dois países saíram "fortalecidos" e "provaram que as instituições democráticas e a vontade popular são capazes de superar tentativas de rupturas".
"O futuro da nossa região depende da nossa capacidade de cooperar. Sem amarras ideológicas, sem violência, sem ódio, construiremos uma América Latina pacífica, integrada e próspera", disse Lula.
O conservador Rodrigo Paz fez questão de destacar, em seu discurso, que a Bolívia decidiu "pelo voto, não pela violência" mudar o rumo de seu destino.
Ele afirmou que há um "casamento" entre os países e afirmou que a relação entre Brasil e Bolívia não pode ser dividida ou separada seja por ideologias, condições políticas ou circunstâncias do cenário político global.
(Com Agência Estado)
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